29/11/2004

Eu tenho medo do Argel!

O jogo foi mau. As duas equipas não jogaram bem. Foi mais feliz o Leiria.
Posto isto apresento o meu raciocínio. Uma equipa quando joga mal, não faz o suficiente para a vitória. O Benfica não mereceu vencer. Uma equipa que não joga pior que a outra não merece a derrota.
A conclusão a que chego é esta, o Benfica merecia o empate, e o Leiria não merecia a vitória.
Então qual foi o elemento desiquilibrador que permitiu o desnível no resultado?
Simplesmente Argel.
E depois de dizer o nome do senhor brasileiro, vou terminar a minha análise referindo algumas considerações sobre a equipa do Benfica no jogo de ontem:
Sokota atrapalha-se demasiado com a bola, este não é o internacional croata que conhecemos.;
Paulo Almeida, caso ninguém se lembre, é um trinco e joga a trinco e jogou onde os trincos jogam, por isso tem uma missão eminentemente defensiva. E se nos lembramos que ele tinha o Argel logo ali atrás, imaginem o pavor do Almeida para não deixar passar uma! Não foi por aqui que o Benfica perdeu;
Geovanni tem de acordar, mas o dilema é este este: se lhe pedirmos mais, ele corre mais e lesiona-se. Se calhar é melhor continuares assim Gio;
Bruno Aguiar, só tem de ser mais consequente, assim como Karadas.

A falta de pudor do Benfica em Leiria


Em todas as famílias se encontram casos destes. Existem factos e assuntos que toda a gente sabe mas que sobre os quais nunca se fala. São factos melindrosos, que trazem consigo o choque e a consternação, e a que, desde o Governo de Cavaco Silva os portugueses se habituaram a chamar 'tabus'. Todos sabem que todos sabem mas não se fala sobre isso porque o que não se diz tem tendência a não existir.
Mas às vezes acontece. Num ajuntamento familiar há um tio que bebe demais, ou uma solteirona de mal com a vida e cheia de amargura, ou um adolescente provocador em plena fase de revolta, ou uma avó meia senil de idade e de ideias, e basta uma frase para trazer para cima da mesa a ferida familiar aberta, a vergonha e o constrangimento.
Em Leiria o Benfica perdeu. Isso é chato mas não é grave. O pior foi que o tal tio bebeu e escarrapachou o que nós todos sabemos mas que não gostamos de admitir porque dói muito.Dois dos tabus foram expostos de uma maneira quase obscena e sem qualquer tipo de pudor.
Em primeiro lugar gritou-se aos quatro ventos a dependência de Simão, que quando não consegue ser genial e marcar, como tem feito tantas e tantas vezes de uma maneira decisiva para um resultado positivo do Benfica, transforma a equipa dos encarnados num colectivo medíocre, sem ideias e sem vontade de nada.
Em segundo lugar foi posto a nu o baixissimo QI de Argel, homem voluntarioso mas de uma estupidez futebolística de bradar aos céus. O Argel tem tanto de corrida e sprint como de neurónios ligados ao raciocínio. Se o Argel jogasse na Turquia ou na Grécia, tinha visto a sua casa ser incendiada ontem à noite.
É alarmante! Este homem é capaz de tudo por não ser capaz de nada!
Contra-ataque, Bola lançada para Fangueiro e todos sobem, todos sobem a linha de fora de jogo. Todos, exceptuando o atrasado Argel(em inglês 'retarded'), que gloriosamente oferece a desmarcação ao leiriense. Depois, é ver o nº 3 do Benfica a sprintar atrás do avançado contrário como quem se lança na perseguição de um comboio que se sabe já inalcançável, perdendo metros e metros e metros.. e claro está que o comboio-Fangueiro não parou, já que ele, ao contrário do esbaforido Argel de língua de fora, sabe mais ao menos o que deve fazer e para o que lhe pagam ao final do mês. Como se já não bastassem as faltas despropositadas, a ser manhoso, a incapacidade de fazer jogar a equipa ao, consecutivamente, atirar balões para a frente, ainda temos de saber, temos de enfrentar essa realidade durissima, de que, afinal, Argel está incapacitado para o futebol e ainda ninguém deu por isso.
Quanto ao jogo, não foi bonito. O Leiria não jogou e o Benfica também não. Piores exibições de época são incontornáveis e até é bom que surjam no inicio do campeonato. Agora, o que custa, o custa mesmo, foram os tabus gritados pela equipa ontem.

Noite de fantasmas

Mais do que os desastres ambulantes chamados Argel, Paulo Almeida e Giovanni (“comatoso” parece ser alcunha bem mais certeira do que “soneca”), o jogo de ontem em Leiria ficou marcado pelos fantasmas - presentes mas mentes dos adeptos durante os noventa minuto, mas desgraçadamente ausentes do relvado. Falo, como é óbvio de Luisão, Miguel e Petit. Se alguém ainda tivesse dúvidas, ficou provado que sem este trio em campo o Benfica não funciona: o brasileiro é “a” defesa; Miguel a alegria do ataque; Petit a fortaleza do meio campo. Claro que ainda há Simão e Manuel Fernandes. Mas o extremo, sozinho, nem sempre consegue levar a equipa às costas, e miúdo não é a mesma coisa sem Petit ao lado.
Só por causa da dependência deste trio, ou seja, por não haver colegas e substitutos à altura, é que o Benfica perdeu ontem com uma equipa perfeitamente mediana. Nos empates com o Marítimo e, em parte, com o Rio Ave, pôde-se falar de adversários aguerridos e fortes. Ontem não. Tudo o que aconteceu domingo à noite em Leiria se deveu única e exclusivamente ao Benfica. Às suas debilidades, à sua cada vez menor alegria de jogar.
Adaptando uma célebre resposta de Huckleberry Finn, quando, na Escola Dominical, lhe perguntaram o nome dos doze apóstolos, podemos dizer que:
Os onze jogadores do Benfica são cinco: Luisão, Miguel e Petit.

26/11/2004

Depois do Rio Ave, a visita ao Liz

Depois de mais uma vitória europeia, o Benfica segue o seu caminho perseguindo ainda todos os troféus em contenda em situação privilegiada.
O próximo jogo em Leiria, adivinha-se uma verdadeira incógnita. Apesar de o Benfica mostrar que já consegue entrar bem nos jogos e marcar sempre nos primeiros 20 minutos, resta-nos saber o que fará a União de Leiria, que já empatou em Alvalade e no Dragão.
É que os leirienses têm tido maus resultados em casa, alcançando um saldo mais positivo fora de portas.
As armas do Benfica são as mesmas de sempre, rapidez nas alas, força física na frente, futebol de ataque, e apoio dos verdadeiros laterais do Benfica. O Benfica é uma equipa bem esquematizada, bem organizada, com mecanismos e coordenações entre jogadores visivelmente trabalhadas por Trapatonni.
Com um guarda-redes como Moreira, João Pereira, Luisão, R. Rocha e ou Fyssas ou Dos Santos, temos uma defesa que dá algumas garantias. Com Simão, Sokota, Karadas e Giovanni temos um ataque que é uma garantia de golos.
O Leiria promete ser uma equipa disciplinada, mas fraca no aspecto mental e motivacional.
Esperemos que o árbitro deixe o jogo fluir, e que o Benfica vença 3-0. E acho que desta o Luisão vai marcar.

O Carlos Cruz da Luz


Aqui pelo Chiado ontem uma grande azáfama com a história do Processo Casa Pia. O Carlos Cruz veio almoçar à rua onde fica o escritório onde trabalho. O Carlos Cruz está quilhado, como dizia um primo de Matosinhos com o qual convivi durante algum tempo. Já foi julgado por aquilo que se chama Povo porque não há fumo sem fogo e tal. A culpada, ou antes, a responsável por o Carlos ser um energúmeno, parece-me claro que é a Comunicação Social. Se o homem for considerado inocente pela Justiça Portugesa, de nada lhe valerá.
Ontem o Paulo Almeida entra em campo a substituir o Petit. Os comentadores bem dispostos do Canal 1, incluindo o Mestre Gabriel Alves (não a derivação 'Ovo' que escreve neste blog), falaram bem dele e disseram, não conseguindo esconder uma certa surpresa, que parecia ter renascido. Paulo Almeida, no entanto, não passa de um espécie de Carlos Cruz com sotaque carioca, mais moreno, mais jovem e com menos brilho perante as câmaras. Hoje, nos comentários dos profissionais que escrevem nos jornais que se arrogam à denominação 'desportivos' e que estão realmente mais na linha de um bom 24 Horas ou de uma boa TVI , esmagam mais uma vez o brasileiro sem apelo nem agravo. Almeida é o bombo da festa e os benfiquistas, mesmo que ele faça bons jogos como o de ontem já não o considerarão menos do que uma nódoa a expurgar rapidamente do plantel.
Não digo que o Paulo Almeida seja um bom jogador, que tenha tido performances satisfatórias e que não tenha já visto melhor na posição que ocupa (de vez em quando) em campo. Mas reconheço que tem sido perseguido e que o seu real valor nunca poderá vir a ser apreciado. Já muitas camadas de tinta tablóide-desportiva se interpõem entre ele e o adepto.
Quanto ao jogo de ontem, o Benfica dominou. O Dínamo alimentou a Luz, escancarou-lhe a porta, abriu-lhe, como se costuma dizer, as pernas. Ontem só pensava que a Superliga está mesmo com um grande nível, porque a maioria das equipas que a compõem ganhavam com uma perna às costas aos croatas.
Grande exibição de Manuel Fernandes. Dignidade de Sokota ao não festejar o golo, fazendo lembrar Rui Costa há uns anos na Luz com a Fiorentina.


Cinco desejos claros para Domingo

Que o Dínamo continue a iluminar no elefante branco.
Que menos de um metro e setenta seja a altura do gigante.
Que a lesão seja coisa "petit".
Que não surjam os soluços que nos pregam sustos terríveis.
Que dois golos sem resposta se torne uma boa tradição.

Hermético? Hum...só se for aquela do elefante branco. Mas mesmo essa....

25/11/2004

Hoje é noite europeia

As noites europeias são noites especiais.
Quando os clubes estrangeiros jogam contra o Benfica, a camisola pesa. Quando equipas fazem os chamados clássicos, existe um cheiro diferente no ar.
O adversário de hoje é o Dinamo Zagreb, que já se chamou Croatia Zagred e entretanto voltou ao Dinamo. Clube de origem de jogadores como Sokota e Viduka.
Mas a minha memória de croatas recua até 94/95, quando o Benfica defrontou o Hadjuk Split para a Liga dos Campeões. O 1º jogo foi em Split e terminou empatado a 0-0, apesar de um golo mal anulado a Claudio Cannigia. Na luz penso que a vitória foi de 2-1 com um dos golos a ser marcado por Cannigia.
Quanto ao jogo, é um bom jogo em perspectiva, onde esperemos que o Benfica vença, pois já mostrou que pode marcar muitos golos, só tem é de sofrer menos.
De resto, penso que a equipa não deixará passar a oportunidade de mostrar a Giovanni Trapattoni que aqueles erros contra Rio ave não acontecerão tão cedo.Promete ser um bom jogo. Atenção à exibição de Giovanni.

Benfica- Dinamo Zagreb - Noite Europeia sem Néné não é noite europeia

Ser do Benfica é viver uma sequência de equívocos constante e formidável. É impossível saber se a equipa vai jogar bem ou mal antes e depois do jogo começar. Com o Benfica sabe-se no momento do golo, da falta ou da jogada genial. Ou, por outro lado, da falha clamorosa da defesa, do frango ou de um meio-campo narcoléptico. Depende não se sabe de quê. Não vale a pena fazer previsões. Porque ser do Benfica é ter um Rosário nas mãos e não saber identificar a oração que se deve fazer a seguir. Eu, por mim, opto sempre por vestir-me de optimismo antes do jogo.
Hoje prevejo, embora nunca na vida fosse estúpido ao ponto de apostar em algo a ver com Benfica, que vá ser um grande jogo, disputado, no mínimo a um ritmo eléctrico, já que a equipa que cá vem jogar a Lisboa tem um nome de guerra, pelo menos, tão electrotécnico como o nome do estádio do Glorioso.

23/11/2004

Quem marca 3, não merece perder.

Um grande jogo de futebol.
Realmente, não há muito que possamos dizer, depois de um 3-3, a não ser umas considerações gerais.
A 1ªparte do Benfica foi um luxo, do melhor que já se viu nesta Superliga. Simão é mesmo um grande jogador. Todos os elementos do ataque emprestavam algo de si para criar as jogadas de perigo. Foi assim com uma certa naturalidade que se chega ao 3-1 ao intervalo.
Na 2ªparte a conversa foi outra, e a partir da hora o Benfica começa a relaxar mais, e afinal depois de 60 minutos de bom futebol e 3 golos, é normal uma equipa sentir que está ganho e normalmente assim acaba por acontecer. Mas o Rio Ave não é uma equipa normal. Não pela extraordinária valia dos seus atletas, mas por uma mentalidade de quem não desiste. E o Rio Ave não desistiu e foi atrás do resultado e conseguiu.
No fim, o sabor amargo para o benfiquista que estava a ver a sua equipa vencer e convencer, e abateu-se mesmo no fim. Mas também consciente que quem consegue marcar 3 golos num jogo, não merece perder. E foi isso que aconteceu.
Bom trabalho do árbitro que deixou jogar e permitiu a fluidez do jogo. Para isso também as duas equipas contribuíram, não utilizando a falta de modo recorrente como outras equipas da Superliga fazem.
Os dois erros de Nuno Almeida foram, o golo em posição irregular de Simão e o 2º amarelo que ficou para mostrar ao nº6 do Rio Ave numa entrada dura sobre Petit.Por fim, um bom jogo, bom espectáculo para quem foi ao estádio.
O Benfica mantêm-se na corrida em todas as frentes.

Um bom espectáculo a não repetir!


Que experiência fantástica, o jogo de domingo à noite!
O Benfica domina a primeira parte. Os adeptos abraçam-se ao terceiro golo. Chega o intervalo. Toda a gente a ir comprar bebidas, a dar palmadas nas costas uns dos outros. Os pais brincam com os filhos que conseguem sacar as pipocas e as coca-colas que normalmente recebem uma nega nos intervalos da Luz menos felizes.
Três a um e o povo de barriga cheia. A repetição dos golos nos ecrãs gigantes faz com que se grite golo outra vez como se aquilo não fosse uma repetição. E os lagartos. E os tripeiros. E este e aquele a não sei quantos pontos. Ninguém discute tácticas. Como poderá o Benfica perder um jogo que está a dominar desta maneira? Vamos à frente. Assim, sim!
Que experiência fantástica, o jogo de domingo à noite!
O Rio Ave domina a segunda parte. Ao segundo golo, à bola tirada in extremis em cima da linha pelo jogador do Benfica, os adeptos lançam as mãos à cabeça. Há gritos na iminência do empate. Assobios e insultos e logo resposta 'Benfica, Benfica' porque ninguém acredita que os encarnados vão perder.
E depois um contra-ataque. Ainda na linha do meio-campo, a inexperiência de Manuel Fernandes vem ao de cima ao não fazer a falta necessária que travaria a jogada letal adversária. O adversário escapa-se, consegue adiantar a bola e correr colado à linha. Penso que foi Dos Santos que o tentou acompanhar. Entretanto, pelo meio, o avançado do Rio Ave corre nas costas do defesa do Benfica, ambos acompanhando o lance que decorre lá na direita. Quem vai adivinhar o movimento certo a fazer? O defesa ou o avançado? Depois o cruzamento perfeito. Depois o remate imparável tudo rápido, tudo simples. Uma bela jogada de futebol.
A multidão não acredita! O empate chega. O Benfica deixou-se empatar após estar a ganhar duas vezes com duas bolas de vantagem.
Que experiência fantástica, o jogo de domingo à noite!
O apito final. Assobios. A frase que mais se ouve é que 'é uma vergonha'.
Desce-se as bancadas, as escadas por dentro do estádio,sai-se o perímetro e a multidão dispersa pelos carros, pelo Colombo e em direcção a Benfica. O rumor vai-se perdendo. O povo já não está junto. O empate já lá vai, dispersou-se num quarto de hora. Fala-se já de outras coisas que não o jogo nos grupos espalhados aqui e ali.
Um tremendo jogo de futebol. A minha equipa marcou três golos: como poderia estar contra eles? Uma boa experiência a não repetir tão cedo.

22/11/2004

O "nervo" - ou a falta dele.

Não vi o jogo de ontem. Mas isso também pouco importa para este comentário. O Benfica, independentemente das manobras técnico-tácticas, tinha que ganhar este jogo. Era obrigado a. Porque: jogava na Luz; o adversário chamava-se Rio Ave; a vitória significava a liderança isolada da Superliga por dois pontos; marcou três golos; esteve, em duas ocasiões, a vencer com dois golos de diferença. Por cada um destes motivos só podia vencer. Mas…empatou.
Falei aqui em final, na passada sexta-feira. Como, aliás, já tinha falado antes do jogo com o Marítimo. Mas, definitivamente, este Benfica não tem “nervo” para jogar finais. Não tem, e não vale a pena iludirmo-nos quanto a isso. Resta-nos agora aguardar por Dezembro, por alguém que acrescente um pouco mais de estofo de campeão. Não que eu acredite em “salvadores da pátria”. Mas este Benfica, tal como está, não chega.

19/11/2004

Corrente suave no Rio ave

Neste domingo o adversário do Benfica é o Rio Ave, no Estádio da Luz. Clube do meio da tabela, que vem de um empate frente ao Guimarães no Estádio dos Arcos. Um encontro em que o adversário não aquece nem arrefece. Onde os únicos atractivos são ver o Benfica jogar e ganhar.
O Benfica apresenta-se para vencer. Tem de ser assim, para quem quer vencer o título de melhor de Portugal, é obrigatório lutar por todos os pontos, até os dos empates.
A estrutura defensiva deverá ser a mesma, restando a dúvida Miguel na direita. No meio campo o miúdo e o pitbull estarão a comandar as operações. Na esquerda Simão, e na direita Giovanni, espero eu . No ataque reside a maior dúvida. Sokota e Karadas? Karadas e Zahovic? A equacionar a má forma de Sokota, talvez Za complique as coisas para um meio campo muito físico do Rio Ave.
Um Rio Ave que tenta jogar bom e bem futebol, mas que parece-me ao alcance de um Benfica que responde sempre de uma forma vigorosa após um resultado negativo ou menos positivo. Gaúcho ainda afinou em Vila do Conde e Evandro não está a fazer uma grande época. Atenção ao jovem Miguelito. De resto o Benfica deve forçar o lado direito da defesa do Rio Ave, assim como a dupla de centrais formada por Idalécio e Franco, que apesar de forte fisicamente é dura de rins, e aí a inteligência de Zahovic pode fazer diferença.
Ainda um apontamento para o jovem árbitro Nuno Almeida, vejamos do que é capaz, mas acho que vai tentar deixar jogar.
Prevejo uma vitoria do Benfica por mais de 1 golo, e sem golos sofridos. Gostava de acreditar que Luisão vai fazer uso do seu poderoso jogo de cabeça, mas creio que ainda não vai ser este domingo. Espero na próxima semana em Leiria. Mas Manuel Fernandes pode fazer o gosto ao pé. Como disse Vitor Manuel comentando o jogo no Dom Afonso Henriques, dêem uma bola a este miúdo que ele só quer correr e jogar.Benfica 2-0 Rio Ave.

Desculpa lá Rio Ave, mas…

Novo jogo, nova final. Agora a razão do dramatismo reside na necessidade de não deixar fugir o F.C.Porto. É assim a vida de um candidato ao título esfomeado: sempre com o precipício à disposição de um resvalar de pés.
O adversário, desta vez, chama-se Rio Ave, calmo frequentador (pelo menos até agora) do meio da tabela. O jogo é na Luz, e qualquer resultado que não seja a vitória significa crise instalada. A lesão de Miguel continua a preocupar (ainda não é certo o seu regresso) e a falta de forma de Sokota também. Temos que confessar que é angustiante não vislumbrar, neste momento, uma alternativa para o esforçado Karadas. Não acredito, por isso, que Trapp renuncie ao norueguês a favor do croata. Aliás, o treino específico que vimos ontem nos noticiários televisivos, administrado pessoalmente pelo treinador ao avançado, parece significar a inevitabilidade da opção. Seja como for, acredito (e se não acreditasse significava que algo estava muito mal…), que o Benfica vai ganhar. Por quantos? Talvez 3-1. Sendo um dos golos facturado pela cabeça de Luisão. Finalmente!
Para Rio Ave fica alguma simpatia. A razão de tal sentimento não a sei bem, mas julgo que tem ver com as primeiras transmissões em directo dos jogos da então 1ª Divisão. Estávamos no início dos anos 80, e a coisa era muito rudimentar, tecnicamente falando. Ainda por cima as imagens saiam da minha televisão a preto-e-branco. Talvez para não afastar público dos jogos com "grandes", ou porque estes pedissem muito dinheiro, as equipas pertenciam, quase sempre, à metade inferior da tabela. Um Académico de Viseu-Amora, ou um Farense-Recreio de Águeda, era o que normalmente se podia esperar. E nesse campeonato lúgubre e mal enquadrado, de estádios vazios, eu torcia (mais uma vez não me perguntem porquê) pelo Rio Ave. A simpatia ficou até hoje. Mas Domingo, na Luz, ela sofre um breve interregno. Para bem de um Benfica a caminho do título.

Benfica-Rio Ave


Contra o Rio Ave, no domingo, o Zahovic vai jogar em apoio ao ponta-de-lança. que deverá ser Sokota. Esfrego os olhos, não acredito. Talvez ainda não tenha acordado bem. Sim, é exactamente isso que vem no jornal: Zahovic no apoio a Sokota! Ainda uma terceira vez, mais lento, para que a realidade nua e crua surja em todo o seu espectro de crueldade e nudez: Zahovic e Sokota.
Mas, um pouco mais de atenção e o meu olhar prende-se no nome Roger. Não vale a pena esfregar os olhos outra vez, já sei que estou acordado. Pronto, fico a saber que o Corinthians fez uma proposta pelo Roger e que este se irá embora em Janeiro.
O jogo com o Rio Ave...quem se importa com ele? Estou de luto futebolístico. No domingo, no sector 24, no Estádio da Luz, estarei no velório. Aposto que a águia não irá voar. Aposto que usarei pela primeira vez as principais marcas do benfiquismo: gritarei, chamarei nome, ficarei sem voz, descarregarei no primeiro jogador que falhar um passe, assobiarei o árbitro desde o primeiro segundo e descordarei de todas as decisões que tomar contra o meu clube. Terei especial atenção ao Zahovic e Sokota e serei implacável. Talvez até lhes chame nomes.
Ok, assumo, esta semana não me correu bem e vou descarregar as minhas frustrações para lá.
E depois? Sim, e depois? Rio Ave? Que é isso? Algum queijo? Alguma fábrica de calçado no noticiário das 8 na TVI com mulheres a reclamarem da falta de pagamento de salários e encerramento iminente? O Rio Ave vai levar uma coça, não vai ter hipótese, será esmagado.
Porque sim, porque quero uma alegria. Porque se o Benfica perde não tenho ninguém em casa à minha espera com quem implicar.
Palpite: Benfica 7- Rio Ave 0

18/11/2004

José António Camacho


A primeira imagem que me surge sempre é a de um tipo anafado com uma mancha na camisa em cada sovaco a chegar quase à cintura. A cara molhada de suor, como se fosse ele que andasse a correr e não os jogadores da selecção espanhola. A gravata sufocava-o desde os primeiros gestos enérgicos à beira da apoplexia e o pano peitoral nunca voltava das cabines para o segundo tempo. Naquele calor asiático, um novo marco na minha história pessoal de adepto de futebol: a Espanha foi roubada à grande e à coreana, como nunca tinha visto nenhuma selecção ser antes.
A imagem que vem a seguir, quando me lembro de José António Camacho, é já em Portugal. Sempre com uma energia surpreendente, o reportório de indicações para o campo do antigo capitão e treinador do Real Madrid resumia-se a três gestos. O corpo ligeiramente dobrado, um pé direito fincado com vigor no chão à frente do outro, as mão fazendo "lá, cá, lá, cá" , sem uma palavra, usando os olhos muito abertos na direcção de alguém especifico e a gravata, sempre a gravata, a esvoaçar num movimento de solidariedade com as mãos. Logo a seguir, o segundo gesto, num pôr de peito (e inevitável barriga) para fora, mãos esticadas ao longo do corpo de palmas viradas para fora, numa espécie de "tás a perceber?" quase desesperado. Por último, e sempre em sequência, Camacho dando as costas ao jogo levantando os braços e deixando-os cair contra o flancos do corpo, encolhendo os ombros numa aceitação de "não sei mais o que hei-de fazer" ou, pensando melhor, talvez num "não percebo nada do que se está a passar na cabeça dos gajos" ou, ainda num "não percebo nada disto".
Camacho era assim: um tipo regular e estável nas suas irritações, Um conservador nato e um espanhol de convicções fortes. Gostou do Zahovic e não gostou do Roger. Adorava aquele seu 4-4-2 ofensivo e detestava invenções. A ideia de substituição atrapalhava-o e a equipa ficava sempre a perder com a sua desorientação. Aposto que se fosse benfiquista teria feito uma campanha enorme para que o antigo Estádio da Luz não tivesse sido destruído.
O tipo era um camarada para quem tudo estava sempre bem. Chegou sem referências de jeito. Saiu do Benfica com a maior estrela do seu fraco currículo, ao ponto de ir directamente para chefe de galáxia.
Nenhum benfiquista tem, apesar de Camacho ser um tipo fixe a quem tudo se desculpava (mesmo o não saber mexer numa equipa de futebol), saudades do espanhol. Até ao dia em que Trapp caía com força e faça disparar os maus fígados repentistas dos benfiquistas, conhecidos mundialmente por em meia-hora tornarem um deus num desgraçado a quem se quer cortar a cabeça. Se Trapp não resistir a uma ou duas más exibições 'a la Anderlecht', como bom benfiquista, aí terei saudades de Camacho.

15/11/2004

Este empate vale mais que 1 ponto

A primeira ideia com que fico é esta: ainda bem que o Benfica entrou ao ataque, porque se não tivesse sido assim, nem um ponto levávamos.

O caldeirão foi mesmo difícil, mas as características definidoras dessa dificuldade mudaram. Antes a dificuldade prendia-se com a insularidade, com a viagem, com um agigantar do Marítimo perante os grandes no seu reduto. Hoje é difícil porque se trata do campo de um candidato a uma vaga para a Liga dos Campeões da próxima época.
Jogo muito disputado, também porque os sistemas tácticos das duas equipas não conheciam maneira de se encaixar e os desequilíbrios eram constantes.
Manduca explorou a verdura de Amoreirinha na posição, Leo Lima escolheu este sábado para acordar e fazer a sua melhor exibição desde que está em Portugal.
Simão fez valer a sua grande capacidade nas bolas paradas, e Sokota esteve preso de movimentos. Giovanni lá teve a infelicidade de num bom momento de forma, não poder dar o seu contributo ao conjunto.
Por fim Moreira, que continua a queimar etapas na sua formação, já chegou ao escalão onde a forma já não é relevante e impeditiva de fazer bem o seu trabalho.
Fica a sensação que este foi um ponto ganho, e que mais uma vez o Benfica não tendo mostrado um futebol de grande nível, mostrou força e carácter ao terminar em cima do Marítimo, com uma capacidade física dos seus elementos que deixa boas indicações. Como o resto da Superliga vai provar, tratou-se de um ponto ganho.
Ainda um último apontamento: como consequência desta força, carácter, garra que o Benfica apresenta até ao final dos jogos, este Benfica pode empatar de quando em vez, mas muito dificilmente perde.
Bom trabalho de Bruno Paixão.

Empate à maneira

O Manduca a entrar pelo lado esquerdo, fazendo do Amoreirinha uma árvore à beira de uma autoestrada. O Geovanni a lesionar-se num ombro e o seu substituto, o João Pereira, com 30 minutos em campo e uma lesão muscular. O Sokota num estado hipnótico que lhe impossibilitava o controlo de qualquer bola que chegasse aos seus pés. O Moreira a defender o primeiro remate tocando com a luva na chuteira no extremo de uma "esparregata" andebolistica e depois sendo traído pela ausência de alguém, talvez o Petit, na recarga vitoriosa do Pena. O Leo Lima a disparar uma bomba descaido sobre o lado esquerdo e o Moreira, mais uma vez, a defender a bola num reflexo de luz, num momento, numa respiração. O Simão a espreitar para a baliza, e a decidir fazer a bola pequena e indefensável porque sim, porque sabe como. E no fim, um empate a 1 golo. A sensação de que foi o Benfica que se safou e não o Marítimo. Uma boa arbitragem do Bruno Paixão, sempre preocupado em não parecer adepto do Benfica. 2º lugar não me parece mal. Ainda está tudo a começar.

14/11/2004

A atitude não chegou

Na sexta-feira concordei com Álvaro Magalhães quando disse que o jogo na Madeira era uma final. Por essa razão tenho que considerar o empate como um resultado negativo. Mesmo assistindo a uma excelente exibição do Marítimo, e reconhecendo que os insulares até estiveram mais perto da vitória, o facto de o Benfica perder a liderança do campeonato torna esta divisão de pontos, que noutro momento até poderia constituir-se proveitosa, um prejuízo amargo.
Tinha alertado para a importância do desempenho dos pontas-de-lança. E, talvez de uma maneira que não estava à espera, esse aspecto revelou-se crucial. Não tanto pelo número de golos falhados – as oportunidades foram escassíssimas. Nem por Karadas – que se mexeu, fez jogar, abriu espaços. Mas sobretudo em relação a Sokota. Há pelo menos três jogadas em que apenas por desastrada recepção de bola, ou por simples má execução da finta, o croata, servido por Simão, não fica cara-a-cara com o guarda-redes. Provavelmente esta inépcia custou a vitória aos encarnados. E revelou também a importância de Nuno Gomes. Mesmo fora de forma, o amarantino teria sido uma opção vantajosa para o lugar do desinspirado Sokota.
Uma referência ainda para a defesa. Que, sobretudo na primeira parte, sofreu bastante nas laterais. A tormenta foi tão grande que alastrou mais ao centro, e afectou o regularíssimo Luisão, que em alguns momentos não sabia onde acudir.
Em resumo, o Benfica mostrou garra, determinação, mas isso não foi suficiente. A atitude está correcta, mas faltaram sobretudo soluções no banco para forçar a vitória.

12/11/2004

Neste sábado, deslocação sempre difícil ao Marítimo.
O Caldeirão dos Barreiros, sempre se mostrou madrasto para os encarnado na última década. No entanto lembro do ano passado o grande golo de Nuno Gomes que nos granjeou a vitória por 2-1.
Mas este ano o 21 não estará presente, e o Miguel também não, o quer dizer que Amoreirinha continuará a desempenhar o papel de lateral direito. Assim o Benfica deverá jogar num esquema de 4x4x2 , com o Karadas e Sokota na frente, Simão no seu lugar cativo à esquerda, Giovanni a deambular pela metade direita do meio campo marítimista, e no meio Manuel Fernandes e Petit. Lá atrás, Dos Santos à esquerda, e no centro da defesa o “reciclado” Argel e o “guardião do templo” Luisão.
Quanto ao Marítimo, deverá apresentar o trio atacante constituído por Alan e Manduca descaídos para as alas, e em caso de disponibilidade e por esta ordem, Pena ou Bibishkov ou o enigmático Zumbi na frente. No meio campo, e apesar de todas as lesões, atenções em Chainho e Bino como carregadores de piano, apesar da enorme utilidade do capitão Zeca nos jogos grandes no Caldeirão, e Leo Lima como artista. Lá atrás um quarteto comandado por uma das melhores duplas de centrais da SuperLiga com Van der Gaag e Tonel, tendo como laterais Eusébio e Luís Filipe.
Os pontos interessantes do jogo: adivinham-se grandes dificuldades para Amoreirinha no confronto quer seja com Manduca ou Alan. Até que ponto resistiram os dois centrais do Marítimo ao desgaste físico provocado por Karadas e Sokota? E será que a “adaptação” Luís Filipe vai corresponder no confronto com Simão?
E depois claro, será que tanto Geovanni como Leo Lima vão “acordar” para o jogo?
Quanto ao árbitro Bruno Paixão, quão dolorosa será a sua missão sabendo do verdadeiro combate que existirá entre Tonel/Mitchell e Karadas/Sokota.
Mas penso que o Benfica, num jogo muito disputado, deverá sair vencedor por 2-0, com golos de Karadas e Simão.
Promete ser um jogo entretido, como diria o Quinito, tanto no aspecto técnico como táctico. Vivamente aconselhável para quem gosta de futebol.

No Caldeirão

Álvaro Magalhães definiu o jogo de Sábado, com o Marítimo, como uma final. E com toda a razão. Neste momento do campeonato o Benfica não pode pensar noutro resultado que não seja a vitória. O Sporting não ajudou na última jornada e exige-se agora aos encarnados empenhamento total.
A ausência de Miguel é, por isso, uma má notícia. Mas não chega para a abalar o natural optimismo do comandante. Ainda há Petit, Luisão, Simão e, a boa novidade do último jogo, a dupla Karadas/Sokota. Partindo do princípio que os três primeiros mantêm o rendimento dos últimos jogos, esperando que Simão prossiga na forma ascendente, será a capacidade de concretização da dupla de avançados que muito provavelmente definirá o jogo. Claro, existe ainda Geovanni. Mas a inconstância do brasileiro aconselha a não contar muito com ele. Ou seja, e concluindo, se o norueguês e o croata aproveitarem as oportunidades de golo que certamente irão surgir, o Benfica sairá do Caldeirão dos Barreiros com os três pontos.

Palpite: Marítimo 1 - Benfica 2

Explicação simples

Tive que escolher o meu clube quando comecei a jogar à bola na rua com os outros miúdos. Andava eu pelos seis anos. Mudáramos para aquele bairro novo, pleno de espaço livre e sem uma estrada cheia de carros à porta, e, para me integrar, e poder jogar, precisei escolher a equipa e os jogadores preferidos. Lembro-me, muito vagamente, de o Estoril e o Sporting me causarem alguma hesitação. Mas foram apenas possibilidades meteóricas. Depressa descobri que o caminho natural me levava direitinho ao Benfica. E é por aí que tenho andado desde então.
Como se vê, o clubismo é uma coisa simples.

Antevisão Maritimo-Benfica

Amanhã, no Funchal, com o Marítimo. É sempre difícil. Foi lá que o Mourinho perdeu por 3 quando treinou o Benfica.
No Marítimo, dois destaques: Manduca e Van Der Gaag. O primeiro, a par de Jorginho do Setúbal, é a grande revelação do campeonato. Aliás, o Sporting já sofreu à custa de ambos. Espero que o Benfica confirme com Manduca a experiência que teve com Jorginho na Luz. Isto é, que é facilmente anulável. Quanto a Van der Gaag, que toda a imprensa é unânime em considerar um dos melhores centrais da Superliga, será necessário estar atento ao seu poderio físico na luta com os pontas de lança e, principalmente, ao seu jogo de cabeça na área do Benfica, que sofre muitos golos de bola de parada.
Lembro-me ainda que essa curiosidade que dá pelo nome de Bibishkov está lesionado. Assim como Wenio e SIlas. Evaldo está castigado e Bino, já recuperado da lesão, ainda não tem ritmo competitivo para jogar.
Duas curiosidades do lado encarnado. A primeira diz respeito à repetição, ou não, da eficácia da dupla Sokota/Karadas. (Isto se o Trapp decidir mesmo o 4-4-2). O norueguês está em grande forma e o croata está à procura da confirmação da sua melhor condição. A outra curiosidade será verificar se o irregular Geovanni surgirá em campo com o seu talento ou com o seu alheamento. Ambas as características costumam conviver ao melhor estilo brasileiro no nº 11, num desconcertante balançar de exibições que lança o adepto (e acredito que o treinador também) numa área cinzenta de opinião em que a duas únicas certezas são que, quando o ex-Barcelona entra a meio do jogo desequilibra e decide, e que quando entra a inicial não se dá por ele. Mas, no último domingo, até estas certezas ele baralhou na cabeça do adepto com uma boa exibição desde o principio do jogo até à sua saída. Considerado o melhor em campo, apontou um golo e cumpriu o papel de extremo e de nº10 ao mesmo tempo com distinção.
Do árbitro Bruno Paixão, essa espécie de reverso de Colina, espera-se que as suas exibições psicóticas "assinala-tudo-mas-mesmo-tudo-que-a-lei-é-para-cumprir-e-se-me-chamares-pá-vais para-a-rua-que-eu-é que-mando-e-tal", sempre de cartão amarelo em riste, com a consequente destruição do espectáculo e da fruição de jogo, tenham desaparecido após sete jornadas a apitar em escalões secundários.

Palpite: Maritimo 0- Benfica 2

O Ideário dos Fundadores

«Alegria, colorido e vivacidade nas cores do equipamento, como base do entusiasmo na luta em desporto;
Emblema com base na Águia, como símbolo de elevação de propósitos e objectivos, longo espírito de iniciativa e ânsia de subir o mais alto possível;
Legenda admirável como apologia da união E pluribus unum».

Ideário de José da Cruz Viegas, fundador do Sport Lisboa.

11/11/2004

Redacção sobre o Benfica

(Sou do Benfica. Não sei porque é que sou do Benfica). O meu pai não é do Benfica. Não tive nenhum tio ou padrinho que me tivesse feito sócio. Fico contente quando o Benfica ganha. Fico triste quando o Benfica perde. As camisolas do Benfica são vermelhas, os calções são brancos e as meias costumavam ser vermelhas mas agora são pretas. O emblema do Benfica é uma águia. Quando vou ao Estádio da Luz há uma águia de verdade, que voa e tudo, que se chama Vitória e põe as pessoas todas contentes. Uma vez a águia não quis voar e houve outros meninos que ficaram tristes. Às vezes digo asneiras e chamo nomes quando vou ao Estádio da Luz. Nunca digo asneiras mas chamo nomes mais leves quando vejo os jogos em casa dos meus pais. Tenho um cachecol do Benfica. Tenho uma camisola do Benfica que é a que eles usam nos jogos internacionais. (Gosto do Benfica. Não sei porque é que gosto do Benfica). O Estádio da Luz é muita grande. A direcção do Benfica é-me indiferente. As controvérsias com os senhores árbitros, dirigentes de outros clubes ou sei lá com quem aborrecem-me, são chatas, não me interessam. Há muitos meninos como eu que levam o Benfica demasiado a sério e chateiam-se, muito vermelhos e gritam e tudo. Eu não. Eu gosto é de ver a equipa do Benfica jogar futebol. Ou a fingir que joga futebol. Não gosto quando um jogador da equipa do Benfica se atira para a relva a fingir uma falta ou uma lesão. O Estádio da Luz é o como as pessoas: mais bonito por dentro do que por fora. O meu jogador preferido de sempre do Benfica foi o Humberto Coelho. O meu jogador menos preferido do Benfica foi o João Pinto. Tenho um lugar reservado para todos os jogos do Benfica quando são no Estádio da Luz. Os meus irmãos são do Benfica. Nós falamos muito acerca do Benfica. Agora decidimos fazer um blog sobre o nosso clube preferido. Eu gosto muito dos meus irmãos e do Benfica também. (Sou do Benfica. Não sei porque é que sou do Benfica).