31/12/2004

o Ano de 2004



Acaba o ano de 2004.
Um ano marcado por vitórias e conquistas dos nossos adversários do Fc Porto.
Ainda bem para eles.
Quanto ao Benfica, o ano que agora termina deixa algumas indicações, que deixam-me satisfeito, e de alguma forma confiante que isto vai lá.
Vencemos a Taça de Portugal, ficámos em 2º lugar na Superliga e fomos eliminados pelo Inter em Fevereiro. Tivemos 7 atletas nossos no Euro’2004, cuja final se realizou no nosso estádio. Um deles tornou-se campeão europeu, outros cinco vice-campeões. Na final vimos Miguel, Simão e Fyssas a jogar.
O Luisão lá ganhou a Copa America pelo Brasil, sendo titular indiscutível e um par de vezes capitão do “escrete”.
Camacho, trocou o Benfica pelo seu clube de coração o Real Madrid. Para o seu lugar foi contratado o seleccionador italiano e o melhor currículo da Europa: Trapattoni.
No que se refere ao plantel, perdemos Tiago e Armando Sá, compensados por 17 milhões de euros. Outros jogadores não receberam propostas de renovação e deixaram o Benfica, ou tinham contrato e foram dispensados: casos de Bossio, Thorton, Hélder Cristovão, Cabral, Fernando Aguiar, Andersson, Carlitos, Cristiano e Alex. 12 jogadores deixaram o Benfica.
Para os seus lugares foram designados: Quim, Yannick, Dos Santos, Amoreirinha, Alcides, Paulo Almeida, Everson, Bruno Aguiar, Carlitos e Karadas.
Depois de tudo isto, começou a competição. E começou mal. Perdeu-se a Supertaça de Portugal, e pior, falhou-se novamente a qualificação para a Liga dos Campeões, desta feita contra o Anderlecht.
Depois disso o início de Superliga foi excelente, com o Benfica a manter o 1º lugar até à 10ªjornada, mas depois de muitas lesões e exibições que não convencem, o Benfica está em 3º a 1 ponto do líder à partida para a 16ª jornada.
Estamos na próxima eliminatória da Taça de Portugal e da Taça UEFA.
Portanto, o cenário que nos é apresentado, com a recuperação das lesões e a eventual chegada de reforços, tendo sido o ano que passou bom, o ano de 2005 apresenta-se ainda melhor.Ficam presos na garganta, difíceis de engolir, a eliminação contra o Anderlecht e a derrota de 4-1 frente ao Belenenses.

22/12/2004

Até p'ró ano

Como era de esperar, o Pai Natal não andava distraído e o golo de Mantorras não caiu no sapatinho.
Num jogo muito mau, que levou o próprio Trapp a subscrever os assobios dos adeptos, salvaram-se Manuel Fernandes e um tal Victor, que segurou dois penaltis e ganhou um grande história para contar aos netos.
Seguem-se agora as ansiadas férias. Que no regresso as cabeças estejam mais calmas e os lesionados prontos a jogar, é o desejo maior deste benfiquista.
Num tom optimista, podemos dizer que o objectivo foi alcançado. O terrível Dezembro, que fez temer o pior, foi ultrapassado sem comprometer as aspirações dos encarnados nas três competições que disputam.

21/12/2004

Mais 3 pontos

No sábado mais uma vitória.
A introdução ao jogo com o Penafiel no sábado, não tinha muito que saber: o Benfica tinha de ganhar.
E ganhou, e bem, a uma equipa que não teve coragem, e com um Benfica que sabia o que tinha de fazer.
A equipa do Benfica deu a sensação de entrar no jogo sabendo aquilo que queria, e jogadores como João Pereira, Alcides, Argel, Petit, Bruno Aguiar e Geovanni fizeram questão de mostrar que não sairiam dali sem os 3 pontos.
Para mim, fica mais uma vez a imagem de humildade desta 2ª equipa do Benfica, que não vira a cara à luta, e está disposta a sujar a camisola para vencer.
Boa atitude de Geovanni, tranquilidade e serenidade de Bruno Aguiar, raiva e gratidão de Argel, confiança e ambição de Alcides, profissionalismo de Quim. A minha equipa pode não ter jogado um futebol bonito, mas para mim basta ver os jogadores do Benfica encarnarem estes valores em campo para sair satisfeiro.
Que venha o descanso e o Natal.

Mais um passo rumo à final

A menos de uma hora do início do jogo para a Taça de Portugal contra o Oliveirense, tento arranjar maneira de ouvir o relato do jogo, à maneira antiga, pelo rádio.
A importância do encontro prende-se com a possibilidade de Mantorras voltar aos relvados num jogo oficial, Mantorras que nunca jogou jogos oficiais no novo Estádio da Luz.
É claro que o esperado é a vitória, mas golos de Mantorras já hoje seria um bálsamo para um plantel que perante as críticas constantes, se tem mostrado resoluto e confiante.Hoje mais uma vitória, na defesa do título de vencedor da Taça de Portugal.

O sapatinho fica a jeito

Nunca se sabe. Pode ser que o Pai Natal tenha andado distraído, ou ocupado a contabilizar traquinices maiores, e julgue que eu até me portei bem. Se assim for, deixo aqui expresso o meu pedido: Gostava que o Mantorras marcasse um golo hoje.

20/12/2004

Serviço mínimo e alguma esperança

Antes do jogo com o Penafiel não havia muito a dizer. O Benfica jogava com uma das equipas mais fracas da Super Liga, repleta de velhas glórias em fim de carreira, e digeria ainda uma derrota humilhante no Restelo. As férias de Natal estavam à porta, com uma deslocação a Alvalade no começo de Janeiro, e, se o Benfica queria manter-se na luta pela Super Liga, e dar um safanão, mesmo que ligeiro, na crise, tinha que ganhar ao Penafiel. Tinha que ganhar. Ponto. Qualquer outro resultado era a catástrofe.
E o Benfica ganhou. Sem brilho, é certo, mas de forma indiscutível. Lutou, vestiu o fato de macaco (e também o de Pai Natal, com uma ou duas ofertas que podiam ter amargado a noite), e levou com todo o mérito os três pontos.
Da missão cumprida, ficam quatro destaques:
Argel, pelo golo marcado, pelo maior acerto nas tarefas defensivas, e pela tentiva de beijo a Trapp (que, diga-se, se comportou como qualquer mortal mentalmente são: tentou fugir).
Alcides, pelo estreia sem precalços, e pela propensão inesperada para ponta de lança.
Geovanni, porque, finalmente, jogou e correu mais de meia hora num jogo.
E, por último, para Mantorras, no regresso aos convocados. Mais do que o possibilidade do angolano voltar aos relvados, fica uma indicação poderosa em termos de ânimo e moral para o grupo de trabalho e para os adeptos: o lesionado-mor está de outra vez apto para jogar. Sim, a recuperação ainda é possível.


16/12/2004

Desilusão no Restelo

Como começar e o que dizer depois de ver o Benfica levar 4 golos do Belenenses?
Que ilações devemos retirar? Que apontamentos sublinhar, os positivos ou negativos?
Comecemos, a partir do que vi do jogo, pelos negativos.
A defesa realmente não funcionou bem, principalmente a dupla de centrais, que perante atacantes e um meio-campo que municia muito bem o ataque, não teve engenho para prever, solucionar e reagir aos problemas. A equipa depois do 2-0 não conseguiu reagir, pois íamos com 27 minutos de jogo e fiquei logo com a sensação que o jogo podia estar perdido. A partir daqui os vários sectores da equipa só fizeram os serviços mínimos e não há muito a comentar.
De positivo, os primeiros 20 minutos de jogo, em que a equipa entrou com a lição estudada e sabia o que tinha e estava a fazer. Muitas recuperações de bola, e rápida lateralização. O outro aspecto positivo foi, apesar da derrota parecer inevitável a partir de determinada altura, os jogadores do Benfica mantiveram sempre a dignidade e mostraram um saber perder, sabendo não confundir inconformismo com mau-perder.

Agora, como adepto do Benfica e de um modo racional, o balanço que se faz é muito insatisfatório. Porque o Benfica tem objectivos e definições no seu projecto para esta época, que não permitem em teoria derrotas deste tipo, contra este tipo de adversário.

Mas como ser adepto é principalmente uma questão de gosto, na maior parte das vezes importa mais viver e analisar com emoção, do que racionalmente. Por isso é que contra o Estoril, numa altura “feia” do jogo quando o Simão marcou o empate, nós os três gritávamos golo e dizíamos coisas sem sentido como: Acabou-se a brincadeira que o pai Simão chegou a casa!
Por isso, vou acompanhar e continuar a incentivar aqueles jogadores que jogaram no domingo, nesta missão que certamente não esperavam nesta altura da época: ter de fazer as despesas e a defesa do nome do Benfica sozinhos, sem as redes de protecção chamadas Luisão, R. Rocha, Miguel, Manuel Fernandes e Nuno Gomes.
Claro que a partir de agora não podem acontecer mais deslizes!

14/12/2004

Verdades sem consequencia


É verdade que há jogadores que são mesmo muito maus e que se deviam lesionar o mais rapidamente possível.
É verdade que gostava mesmo que a direcção do Benfica se lesionasse toda ou se perdesse na rua escura mais escura do mundo para sempre.
É verdade que o Benfica está na luta pelo título.
É verdade que o Benfica tem um plantel que não está a dar muito boa conta de si em termos de qualidade de jogo.
É verdade que gostava de ver espectáculo quando vou à Luz.
É verdade que há jogadores que não são bons.
É verdade que uns reforços davam jeito, principalmente um liedsonzito, um numero 10zito, dois Tiaguitos e um Zé Pedrozito.
É verdade que as dispensas de Argel, Paulo Almeida, Zahovic, Bruno Aguiar e Giovanni não calhavam mal, não senhora.
É verdade que me começo a assustar com a bonomia despreocupada de Centro de Dia de Trapp.
É verdade que tenho saudades do Camacho
É verdade que estou farto de ver jogadores a fazerem-se a faltas à frente e dentro da área.
É verdade que gostava que o Carlitos e o Alcides fossem bons jogadores.
É verdade que gostava que o Roger sofresse uma experiência mística qualquer e regressasse ao Benfica e se adaptasse ao futebol europeu.
É verdade que gostava mesmo que o Benfica ganhasse no sábado ao Penafiel por 4 a 0.

13/12/2004

A pedagogia pode esperar

Até gosto da postura pedagógica do Trapp. Cada vez que as coisas correm mal (e nos últimos tempos só têm corrido dessa forma) ele adopta o discurso do “pelo menos podemos aprender com os erros”. Acredito que o faz com sinceridade, sabendo da “verdura” de muitos dos actuais jogadores do Benfica e experimentado que está na vida e no futebol. Mas começa a ser um discurso insuficiente, a caminhar para o confrangedor. O Benfica está a definhar a olhos vistos. E resultados como este 4-1 no Restelo só agravam a situação. O que era antevisto como um Dezembro difícil (à espera da abertura do mercado para reforçar o plantel) está a tornar-se um pesadelo. Luisão, Miguel, Manuel Fernandes, Nuno Gomes, Ricardo Rocha, são essenciais (reparem: é meia equipa). Pura e simplesmente não podem ficar de fora. Não que sejam todos jogadores fora de série. Mas a verdade é que não há outros jogadores que cumpram com um mínimo de qualidade os lugares que ocupam. Só com eles, e mais os “resistentes” Simão, Petit, e Moreira, o Benfica pode pensar em lutar pelo título. Só com eles, ou com jogadores de nível idêntico, a situação de queda pode ser invertida.

12/12/2004

O Céu ainda não nos caiu em cima

Os gauleses Astérix e Obélix só tinham medo de uma coisa: que o Céu lhes caísse em cima.
Os benfiquistas têm como maior receio, o último pesadelo, o terror em estado mais puro, a lesão de Simão. E, enfim, somos fatalistas, somos portugueses. Sabemos que é uma questão de tempo. Sabemos que vai acontecer, que é coisa iminente. Fingimos não saber que a coisa está assim, que existe uma equipa a sério. O Simão é a nossa poção mágica e o nosso Astérix e Obélix juntos numa camisola 20.
Porque isto não é brincadeira nenhuma. Um tipo vai para o seu café matinal, compra o jornal desportivo e, pimba, lá está! A questão não é a surpresa. A questão é saber qual o novo jogador que se lesionou e que assim está indisponível para o próximo jogo. Para o Belenenses- Benfica fiquei a saber, enquanto acendia o cigarro depois da bica, que o Ricardo Rocha se lesionou numa mão e que vai ser operado. E um tipo pensa: “Hum, o Ricardo Rocha? Estamos tramados à mesma mas ainda não foi desta”. Parodoxalmente, dá um suspiro de alívio. “Fixe, não foi o Simão”. É como ganhar o totoloto ao contrário, pela via da ausência do número 20 na lista de lesionados. Se não se acertar no número, ganha-se! E assim vamos, cada vez mais com o coração nas mãos.
Contra o Belenenses, então. Antchouet & Cia, velocíssimos pelo meio do terreno, procurando alguém específico, procurando os companheiros que digam onde está o Argel. Sim, o caminho para a baliza é o IP3 em plena 2ª Circular. O Itinerário Principal com a camisola 3 do Benfica deve estar assinalado em sucessivas camadas de marcador fluorescente no mapa de Carvalhal. Estou mesmo a ver o técnico a distribuir croquis a cada jogador com o mapa da equipa da Luz e a dizer “Não tem nada que enganar, assim que encontrarem a entrada do IP3 é só seguir em frente. E podem acelerar à vontade, fintar e apostar em que nunca cairão em fora de jogo.emos faltas estúpidas a nosso favor asseguradas”
Bom, mas Petit vai voltar. Pode ser que as coisas não corram mal, apesar de só seis jogadores ficarem no banco.
Acho que o Benfica vai ganhar 2-0

10/12/2004

A 2ªfinal de Dezembro

No domingo há uma grande jogatana no Restelo.
Jogo cheio de história. Foi em Belém que o Sport Lisboa começou, e foi do Benfica que saiu o grupo que fundou o Belenenses no principio da década de 20 do sec. XX
O Belenenses tem aqui a derradeira oportunidade de mostrar que tudo aquilo que se dizia e esperava no início de época, não se trata efectivamente só de garganta!
É que ameaçou e ameaçou mas vai perdendo força.
O Benfica começa a sair do pesadelo das lesões e dos impedidos, e começa a jogar a sério. Depois daquele esforço de equipa contra o Estoril, deseja-se semelhante empenho e sacríficio, mas mais futebol para ensinar estes velhos do restelo como se joga à bola.
Mas será bom ver de volta Petit, como se safará Amoreirinha, e o comportamento do trio bons amigos , Zahovic, Bruno Aguiar e Giovanni.
No Belém já se sabe, Antchouet, Juninho Petrolina e Amaral é para ter debaixo de olho.
Caso Simão marque, será de livre. Mas penso que um dos elementos do trio bons amigos molhará a sopa.
E mais, Trappatoni vai-nos dar uma surpresa.E no fim da semana, já estaremos à frente da Superliga.

Olhos a condizer

Nos meus tempos de miúdo, com as bolas de “catchumbo” e da rua quase sem carros para podermos fazer os nossos “desafios”, o azul significava Belenenses. Assim como o vermelho era Benfica e o verde Sporting, a cor do céu ligava automaticamente ao clube de Belém. Do Porto, os outros azuis, quase não se ouvia falar então. Estava ainda a começar o ressurgimento da década de oitenta. Aliás, eu não conhecia pessoalmente nenhum adepto portista. Do Belenenses sim. Havia, por exemplo, o avô do Alcides, o craque da rua, que era ferrenho Belenenses e se metia com a miudagem, dividida quase a meio entre águias e leões. Estava então em voga uma expressão que reflectia essa posse do azul por parte do emblema da Cruz de Cristo. Quando alguém tinha um olho pisado dizia-se que tinha um “olho à Belenenses”. Ou quando queríamos ameaçar um adversário mais obstinado prometíamos pôr-lhe um “olho à Belenenses”.
Não saindo do espaço da metáfora desportiva, acho que esta é uma boa altura para o Benfica relembrar a velha expressão e deixar o adversário de Domingo com duas recordações da cor camisola. Os “boxeurs” de serviço podem ser Simão e Karadas.

09/12/2004

Uma vitória de equipa

O Benfica ganhou ao Estoril, e colou-se ao Porto na liderança da SuperLiga.

O jogo não valeu pelos pormenores técnicos que as equipas desenvolveram durante o jogo, as combinações etc. Na segunda-feira o que valeu foi a atitude.

Trappatoni dizia depois do jogo que graças a Deus temos atitude e carácter. E foi por isso que o Benfica venceu, principalmente na 2ªparte.

Eu vi, Zahovic e Giovanni a aplicarem-se em missões de defesa, e durante muito tempo sem tocar na bola. Eu vi o Giovanni a fazer sprints desesperados até à linha final, só para tocar para a linha lateral as jogadas que o Estoril iniciava lá atrás. Eu vi o miúdo Bruno Aguiar durante 45 minutos a cheirar a bola, sem tocar na chicha e mesmo assim correr. Não tivemos naquela 2ªparte de aperto, Luisão, Ricardo Rocha, Miguel, Petit, Manuel Fernandes e Nuno Gomes para transmitirem atitude.

Golo madrugador do Estoril assustou, mas foi respondido por 2 de Simão ainda antes do intervalo.

Pormenores bonitos foram, nos 10 minutos finais, primeiro Álvaro Magalhães e depois por duas vezes o Bruno Aguiar, levantarem os braços a pedirem apoio ao público, a pedirem o Benfica! Benfica! Benfica!O melhor é que deu para ver que eles estavam a gostar. E nós também gostámos, por isso saímos do Estádio da Luz satisfeitos esta 2ªfeira.
Uma palavra ainda para a tremenda exibição do Manu dos Santos.

Em primeiro e o resto são maus fígados

Vitória do Benfica sobre o Estoril.
Na Luz, noite de emoções fortes, com Argel cada vez pior, com um golo aos 5 minutos do Estoril, com a expulsão de Manuel Fernandes, com a lesão de Luisão e com uma arbitragem desastrada.
Os jogadores do Benfica vestiram o fato macaco e correram imenso, mas a imprensa achou que jogaram muito mal.
A memória curta, curtíssima, dos jornalistas não contemplou 1 hora de jogo com Geovanni e Bruno Aguiar a fazerem de médios defensivos, que o jogo de Karadas foi muito maior do que uma simulação de penalty e que o os encarnados jogaram com dez durante dois terços do jogo.
O Benfica ganhou e está em primeiro lugar. Isto não me parece mal.

07/12/2004

Bom esforço

Um jogo de futebol pode ser bom por vários motivos. Pela qualidade técnica dos executantes, pelas manobras tácticas das equipas, ou pela emoção no desenrolar da partida. O jogo de ontem, na Luz, valeu precisa e unicamente por este último aspecto. Começou com três valentes sustos para os benfiquistas: o golo madrugador dos “canarinhos”; a lesão de Luisão, ainda perdia o Benfica; e a expulsão de Manuel Fernandes, na altura em que o miúdo carregava a equipa em direcção à liderança no marcador. Mas essa angústia foi contrabalançada com dois momentos de felicidade, ainda antes do intervalo: os golos de Simão. E teve uma segunda parte com um Benfica em desvantagem numérica, sempre com o coração nas mãos, mas com uma entrega física e anímica total. Ou seja, mesmo com as “águias” sem ponta de inspiração e um Estoril fraquinho, valeu a pena ir ao Estádio da Luz. A emoção foi grande e, muito importante, o final revelou-se feliz.
Dois destaques, para além dos habituais Moreira e Simão. Dos Santos, que reinou no seu corredor, primeiro a defender e depois atacar. E Karadas, sozinho na frente, foi um poço de energia, força e … paciência com um árbitro que chegou a ser surreal.

06/12/2004

Benfica - Estoril ou "O Tentador ataca de novo"


A julgar pela imprensa o estádio irá estar ainda mais deserto hoje. Vai estar um frio de rachar. A coisa vai parecer triste, inóspita. A Vitória deverá ficar quietinha no braço do tratador umas filas acima de mim, do Paulo "Voz de Comando" Catarro ( alias, Cosme) e do Gabriel "O Ovo" Alves (alias David). O jogo vai ser a preto a branco, tenho a certeza.
O Trapp surgirá no banco com um capote negro sobre os ombros, uma bengala senhorial maléfica na mão e uma cauda comprida a terminar em tridente. É ele quem nos confunde e nos tenta ao desânimo. É ele que nos tortura, que nos diz
- Não vais ao jogo e se fores sofrerás ainda mais
Desta vez, depois da insistência em Amoreirinha como defesa direito, em Paulo Almeida como substituto de quem quer que seja, ele atormenta-nos, com os maiores pormenores de malvadez que alguma vez lhe conhecemos, com Argel no eixo da defesa. O Luisão terá já tomado consciência do trabalho que o espera esta noite e está neste momento a visionar videos não só dos avançados do Estoril mas também do Argel, para perceber como poderá colmatar os seus disparates em campo.
Será interessante ver como Bruno Aguiar se irá safar no meio-campo ao lado de Manuel Fernandes e atrás de Zahovic.
O Benfica ganha por um a zero, com um mágico Simão que derrotará as trevas com a sua vontade e talento.

Sorte e azar

Um cristão adepto da bola tem sempre um problema latente a resolver: a superstição. Ele sabe que não se torce o destino com rituais privados. Sabe que a bola bate no poste e não entra, o ressalto engana o guarda-redes, o penalti é convertido no último minuto, o avançado falha a baliza escancarada, independentemente dos gestos ou frases que se possa usar para “dar sorte”. Sabe isso, mas o resultado de um jogo de futebol depende tanto desses pequenos pormenores, que, mesmo encarando a superstição como uma mentira própria da “antiga natureza", muitas vezes surge a tentação de recorrer a ela.
Acontece que desde que começamos este blog o Benfica não ganha na Super Liga. Já lá vão três jogos. Caso não fosse cristão diria que damos azar. E ponderava a hipótese de suspender estes comentários, a bem da carreira classificativa do “glorioso”. Mas, como disse acima, luto contra a superstição. Não acredito nela. E por isso, espero que: o Benfica ganhe ao Estoril (o palpite é 4-1); que Geovanni acorde inspirado; que Karadas marque mais um ou dois golos; que Simão não se lesione; e que o Luisão esteja tão atento aos avançados “canarinhos” como aos disparates do Argel (este sim, reconheço, costuma dar azar).

03/12/2004

Um OVNI na Bélgica

Vitória fácil. Golos fáceis falhados.
Zahovic fazendo-nos sonhar um pouco com a possibilidade de ainda não estar acabado. Nada que no próximo domingo não seja catagoricamente desmentido pelo esloveno. Já estamos habituados.
Mas o jogo de ontem foi inesquecivel por outra razão. Cruzamento do lado direito e um jogador benfiquista tenta a antecipação na pequena área do guarda-redes belga. Infelizmente estava fora-de-jogo. Uma situação comum, não fora esse jogador ter sido Paulo Almeida. Sim, um tresloucado Paulo Almeida ofensivo com fome de golo!
Mas tudo o que é anti-natural tem o seu preço. Pouco depois Almeida saia lesionado, pagando perante os deuses do futebol por tentar mudar o seu fado, a sua vida e o que se acha dele. Esticou-se e pagou por isso. .
Não me irei esquecer daquele momento, tenho a certeza, único. Irei guardá-lo ao lado daquele em que me pareceu ver um OVNI há uns anos atrás.

02/12/2004

Benfica na Bélgica em ritmo de passeio forçado


Muito bem: Beveren-Benfica.
E dizer o quê, então?
Que vai ser batido um record mundial de lentidão hoje à noite na faixa central do terreno de um campo de futebol na Bélgica?
Que Zahovic e Paulo Almeida juntos deverão passar a ser, depois do jogo de hoje, um novo cúmulo da parcimónia?
Que se sabe muito bem que quando ao Benfica basta um empate para qualquer objectivo, é mais que certo que o Benfica perde num jogo aflito de bolas bombeadas para a área nos últimos 30 minutos?
Mas pode ser que não. Pode até ser que o Benfica consiga fazer uma belíssima exibição e ganhar por muitos, que era mesmo o melhor de modo a que ficasse em primeiro no grupo mercê de um melhor "goal-average"(palavra deliciosa esta).
Previsão: Beveren 1 - Benfica 5