28/04/2005

Ganhar e mais qualquer coisa

Encaremos o facto de frente. Se o Benfica ganhar os próximos três jogos é campeão. Independentemente do que façam os adversário mais próximos, duas vitórias em casa, sobre Belenenses e Sporting, e uma fora, sobre o Penafiel, são suficientes para festejar o título.
Isto significa que estamos perto. Como há muito tempo não estávamos. Mas também significa que o caminho continua a ser difícil.
Nos últimos quatro jogos o Benfica ganhou dois, perdeu um, e empatou outro. E em todos eles o desfecho só ficou definido nos derradeiros momentos. Mantorras salvou por três vezes, mas também foi em tempo de descontos que surgiu a derrota em Vila do Conde. Numa mistura de “tremideira” e “sangue, suor e lágrimas”, os encarnados vão dando cabo dos nervos dos adeptos e, ao mesmo tempo, mantendo a liderança isolada.
Perante tudo isto, o jogo com o Belenenses ganha duas prioridades.
Desde logo, a vitória. O primeiro passo na longa marcha de três... passos até ao título.
Depois, como complemento e elo de ligação com as “finais” seguintes, um triunfo tranquilo, robusto, e construído a tempo.
Uma vitória sem dramas constituiria um “balão de oxigénio” nesta fase decisiva da época. Tranquilizaria a equipa, dar-lhe ia confiança.
Estarei a pedir muito? Hum... não me parece. Se o jogo começar bem, se as coisas correrem pelo melhor e não pelo pior, então a cabeça pode ganhar espaço ao coração. O Benfica já jogou bom futebol esta época. Porque não há-de voltar a ele quando é mais preciso?

Força Benfica!

26/04/2005

Coração, Manuel Fernandes, Luisão e Mantorras

De um jogo em campo mais que neutro, com um candidato quase eleito à descida, ficam três notas:
1) Alguém dizia no princípio da época que, com Trappatoni no comando da equipa, os benfiquistas tinham que ir preparando o coração. Estava em causa, na altura, a propensão defensiva do italiano, que se agarrava com unhas e dentes às vantagens tangenciais, provocando inevitáveis calafrios. A advertência foi sábia. Apesar dos motivos irem para além da filosofia de Trapp, que já joga com três avançados, o músculo cardíaco dos adeptos encarnados tem, nestes últimos tempos, sofrido maus tratos invulgares.
2) O Benfica acusou em demasia o golo fortuito dos canarinhos e a ausência de Manuel Fernandes e Miguel. Sobretudo o “míudo”, que se transformou numa pedra fundamental. Petit é um excelente recuperador de bola, mas não está ao mesmo nível no passe e no empurrar da equipa para a frente. Bruno Aguiar cumpre os serviços mínimos, e isso, como é óbvio, não chega. Sem Manuel Fernandes o Benfica perde muita da sua potência ofensiva.
3) Os golos de Luisão e Mantorras. O do brasileiro por ser, finalmente!, o primeiro. E por acontecer numa altura preciosa. O do angolano, por se estar a transformar numa providencial rotina.

22/04/2005

O maior

Depois dos dois últimos deslizes, acabou-se a reserva de pontos. Neste momento, o “combustível” está contado ao centilitro. Dá à justa para manter a dianteira até ao fim, e não admite novos desperdícios. Perante esta realidade, o Benfica deverá continuar a jogar como tem feito nas últimas partidas. Com determinação. Esperando que as oportunidades de golo tenham maior índice de concretização. E que a sorte não nos vire tanto as costas.
Quanto à equipa, a única alteração chama-se Manuel Fernandes, ausente por acumulação de “amarelos”. Um baixa importante, sem dúvida, mas que num candidato ao título não pode significar menor rendimento do grupo.
Entretanto, e pegando ainda numa polémica que antecedeu este jogo, vale a pena citar A Bola online de hoje:
“”A receita será seguramente acima dos 600 mil euros”, revelou Manuel Alves, administrador para a área financeira dos “canarinhos”. O dirigente passou o dia de ontem no Algarve, inteirando-se de todos os pormenores relacionados com a organização do jogo, confirmando in loco o entusiasmo que o mesmo está a suscitar junto dos adeptos algarvios.
O Estoril-Benfica assinalará a maior assistência de sempre no Estádio Algarve.”
São pormenores como este que tornam o Benfica um clube único em Portugal. Pela sua grandeza. Mesmo não ganhando o campeonato há dez épocas, contínua a ser, de longe, o único clube capaz de encher qualquer estádio, de Norte a Sul do país. É por isso que António Oliveira, presidente do Penafiel, pondera também a possibilidade de mudar o jogo entre os dois clubes, na trigésima segunda jornada, para um estádio maior.

21/04/2005

Seis...

Agora sim, é oficial. São mais seis finais até ao fim da época. A última joga-se no Jamor.

18/04/2005

Na mesma

Obviamente que as primeiras palavras surgem marcadas pela frustração. Um adepto que vê a equipa perder cinco pontos em duas jornadas, desbaratando um avanço de seis pontos, não tem como fugir a algum desalento. Nesta altura, em que, há apenas pouco mais de oito dias, julgávamos poder começar a preparar a festa, somos confrontados com uma margem mínima de vantagem que proíbe qualquer nova escorregadela e atira todas as decisões para a última jornada (ou, na melhor das hipóteses, para a penúltima).
No entanto, e passado esse primeiro momento de frustração, parece-me realista que o optimismo volte a ser o sentimento dominante.
Porque ainda vamos à frente.
Porque ainda dependemos só de nós.
Se a equipa estivesse a jogar mal teríamos razões para olhar com pessimismo a vantagem tão escassa. Mas não é o caso. Tanto no Estádio do Arcos como na Luz a vitória não surgiu apenas pela mistura infeliz de pouca de sorte, inabilidade dos rematadores e vigorosos golpes de rins do guarda-redes adversário. Ora, sendo esses factores aleatórios (bom, a parte dos rematadores nem tanto…), há boas razões para acreditar que o Benfica tem hipóteses reais de vencer os cinco jogos que faltam. Principalmente se os remates à baliza tiverem um nível de eficácia “normal”.
Por isso, e pelo meu lado, continuo a acreditar.
Força Benfica!

15/04/2005

Pensamento técnico e táctico

Este é daqueles momentos em que há pouco para escrever. O plantel está todo disponível, o onze provável não merece nenhum reparo, a motivação dos jogadores não podia ser maior (demonstrar que o percalço de Vila do Conde faz parte dos imponderáveis do jogo), e os adeptos relegaram as divergências tácticas para melhor oportunidade e preparam-se para encher de novo a Luz.
Resta então ao Benfica, mal o árbitro apite pela primeira vez, cair em cima do União de Leiria e conquistar-lhe os três pontos. Apenas isso.
E ficam a faltar cinco jornadas.
Força Benfica!!!

12/04/2005

Rio Ave 1x0 Benfica

Depois dos jogos com Marítimo em casa, e Rio Ave no estádio dos Arcos, o que tenho a dizer é isto: o que ali se passou foi futebol!
Claro que um bom jogo tem um bom sabor quando a nossa equipa ganha, mas a derrota depois de um bom jogo não é totalmente desagradável.
O jogo contra Marítimo, foi tremendo. Em emoção, em qualidade de futebol, em golos. Todos os ingredientes para um bom jogo, e aquilo que se passou é futebol.
No domingo, em Vila do Conde, mais um bom jogo.
Estádio cheio, jogo ao início da tarde, equipas dispostas a jogarem e a respeitarem-se.
Até o jogo de estratégias, jogado entre treinadores, foi interessante.
Carlos Brito, sabendo que Gama, Evandro e até o próprio Junas não teriam força física para aguentar o jogo todo, tinha como objectivo chegar com vantagem ao fim da 1ªparte para depois, na 2ª fazer a gestão e apostar em contra ataques. Para o sucesso desta estratégia, contava com um Benfica que entraria empolgado, e muito adiantado no terreno, e desse modo conseguir surpreender o meio campo benfiquista na 1ªparte.
Mas senhor Trapattoni, muito astuto (qual raposa), adopta uma estratégia do tipo “deixa-os pousar” para a 1ªparte. Também Trapattoni sabia que Gama, Evandro e Junas não aguentariam mais de uma 1 horas de jogo. Por isso entrega os primeiros 30 minutos de jogo ao Rio Ave, obrigando-os a grande desgaste.
Por tudo isto o resultado ao intervalo era de 0-0, apesar de boas ocasiões de golo por Gama e por Simão.
Na 2ªparte, a estratégia de Trapattoni consumou-se, o Benfica agarrou na batuta, e foi em busca do golo, perante um Rio Ave que se viu impotente para contrariar esta toada. Estavam definidas as estratégias até ao fim do jogo: Benfica a dominar e a empurrar o Rio Ave lá para trás; o Rio Ave a utilizar o contra-ataque e a sua boa organização defensiva como armas.
Os treinadores foram lançando as suas armas, uma a uma, e o Benfica foi criando oportunidades. Primeiro Nuno Assis não aproveita uma posição privilegiada, depois Nuno Gomes na sequência de uma grande jogada do Benfica permite boa defesa de Mora, e por fim Luisão num pontapé de canto atira por cima da trave, depois de Mora falhar a intercepção.
Mas a verdade, é que foi o Rio Ave, num dos seus contra-ataque e já no período de compensação, que conseguiu marcar através de Miguelito, após jogada perfeita de contra-ataque conduzida pelo suplente Saulo.
Jogo interessante, com jogo limpo, poucas faltas, e as estratégias dos treinadores a funcionarem.
Benfica perdeu, mas a candidatura saí reforçada. Segue em 1º com 3 pontos de vantagem relativamente ao 2º.

11/04/2005

Em frente, mesmo sem contador

O balde de água fria de Miguelito, já em período de compensação, e o golo furtúito de Liedson a seis minutos do fim, significam que este ano não haverá contagem decrescente. O título será disputado até à última jornada ou, quanto muito, ficará decidido no embate entre águias e leões, na Luz. Em caso de vitória em Vila do Conde a “onda” encarnada ter-se-ia transformado em tsunami, o contador seria ligado, e a ansiedade atingiria o rubro. Como não foi esse o resultado, ao coração benfiquista pede-se outra tarefa. Não a gestão do entusiasmo, mas a manutenção do ânimo elevado. Afinal de contas tudo está em aberto: continuamos à frente, dependemos só de nós, e a exibição de ontem até foi bastante razoável. As possibilidades mantêm-se intactas.
Força Benfica!

P.S. - Por motivos que talvez ainda aqui expliquemos, acabaram-se os palpites/prognósticos.
Fica para Luisão, cujo golo tanto previmos desejamos, uma palavra final. Ontem teria sido um excelente dia para o tento de estreia nesta temporada. Faltavam cinco minutos para o fim, a baliza estava escancarada depois de uma saída em falso do guarda-redes vilacondense, e Luisão cabeceou por cima. Concerteza que a sua responsabilidade não é maior que a de Simão, Nuno Gomes e Nuno Assis que falharam outras tantas oportunidades. Mas aquela bola sobrevoando a baliza teve um travo amargo a desengano...

08/04/2005

Para ligar o contador

Como disse na semana passada, este jogo com o Rio Ave pode ser crucial. Depois da vitória sobre o Marítimo, ganhar de novo em Vida do Conde coloca os encarnados numa posição previgiliadíssima para chegar ao título. É certo que ficam ainda a faltar muitos pontos para serem disputados, mas a vitória liga, desde já, a contagem decrescente. Ou seja, o Benfica assume-se, de vez, como o principal candidato e, mais do que isso, começa a preparar a festa. Mas não nos precipitemos. O momento é de concentração e não de euforia. O que importa agora é “apenas” ganhar ao Rio Ave.
Para isso, Trapp volta contar com o plantel completo, moralizado e confiante, como se viu contra o Marítimo. Pede-se, contudo, mais atenção à defesa, devidamente ajudada pelo meio campo. Luisão já não acusará o cansaço das viagens intercontinentais e isso pode ser o segredo para a melhoria.
Por mim, cumpro a minha parte:
- Força Benfica!!!

Palpite: Rio Ave – 0, Benfica - 2. E é desta, é mesmo desta, que Luisão faz um golo.

04/04/2005

Interiorizado

A inveja é um sentimento nada bonito. Ainda por cima para um cristão que conhece o Decálogo desde pequeno. Mas eu gostava, gostava mesmo, de ter estado ontem no lugar do Tovar e do Catarro. Na Luz, quando o Mantorras marcou o golo, e fez explodir a multidão, e precipitou a festa. Sim, deve ter sido muito bonito, e por isso eu queria ter lá estado. Mas… não estive. E tive que me contentar com o relato no mini-rádio de três euros comprado nos chineses, com os pulos de alegria na cozinha vazia, e com a pergunta assustada da Anabela – “caíste ou aleijaste-te?”.
Seja como for, e sentimentos e localizações geográficas à parte, os benfiquistas têm sobejos motivos de alegria. Não só pelos três pontos obtidos, mas sobretudo pela demonstração de vontade da equipa. Os jogadores acreditam que podem ser campeões, e essa interiorização é mais uma tarefa cumprida nos muitos trabalhos da Super Liga.

01/04/2005

Só mais dois!

E voltemos então à ansiedade.
Depois de quinze estratégicos dias para respirar fundo e preparar o esforço final (falo também dos adeptos), a Super Liga entra na fase decisiva.
Para o Benfica as duas próximas jornadas serão cruciais. Vitórias nos testes com o Marítimo e com o Rio Ave significam que o tão ansiado título fica quase carimbado. Obviamente, não numa perspectiva matemática. Faltarão, nessa altura, ainda muitos pontos por jogar (dezoito). Mas o ânimo e a dinâmica de vitória tornarão quase impossível que o campeonato nos fuja das mãos.
Para a recepção aos insulares, o plantel conta com uma única dúvida: Petit. A sua utilização não está totalmente posta de parte, mas a recuperação da lesão sofrida no Bonfim pode não chegar a tempo. De resto, todos a postos. A participação nas selecções não deixou mossas físicas e pode até ter servido como complemento de confiança para Manuel Fernandes, Nuno Gomes, de regresso aos golos, Miguel, Simão, Quim, Luisão e Karadas.
Num estádio que, segundo as notícias, vai estar cheio, o Benfica tem todas as razões para somar mais três pontos e confirmar a confiança que começa a crescer entre os adeptos.
Prognóstico: Benfica, 3 – Marítimo, 0. Com Ricardo Rocha a facturar.