O ano passado Simão levantou a Taça de Portugal, numa vitória saborosíssima sobre o Porto de Mourinho. Como que cumprindo um desígnio histórico, qual aldeia de Ásterix, os encarnados mostravam-se os últimos resistentes às conquistas do treinador setubalense. Todos se vergavam? Não! O Benfica, como clube maior, dava o exemplo e, mesmo depois de estar em desvantagem no jogo, ia buscar o troféu e encabeçava a resistência. Na altura afirmei (mas reconheço que era mais desejo do que convicção) que este ano o campeonato seria nosso. E foi. Depois de uma luta titânica, com muita ansiedade e calafrios pelo meio, o Benfica sagrava-se outra vez Campeão de Portugal. E a festa, pelo país e pelo mundo, mostrou a grandeza única do clube.
Quando no Domingo Hélio e Sandro, e não Simão, ergueram a taça, fiquei obviamente triste. Ninguém gosta de perder a final da segunda competição mais importante do futebol nacional. Mas, pela primeira vez em vários anos, pude experimentar uma tristeza “normal”. Ou seja, a de um jogo de futebol, onde uns ganham e outros perdem. O Benfica rendeu menos que o Setúbal, com os jogadores visivelmente esgotados e em descompressão, e por isso a vitória dos sadinos não sabe a injustiça. Mas o estatuto do Benfica como o maior, em número de título, adeptos, mística e glória, não pôde ser minimamente beliscado. Depois das demonstrações da última semana, a derrota na Taça tornou-se apenas uma derrota do Campeão.
31/05/2005
27/05/2005
Album de recordações
Os três que aqui escrevemos no local que dá o nome ao blog. Dia 6 de Dezemnbro de 2004. Uma vitória sofrida contra o Estoril, por 2-1. Estivemos a perder, Simão marcou os golos, Manuel Fernandes viu o cartão vermelho, e Luisão lesionou-se. Começava um dos períodos mais difíceis da época, e faltava ainda muito para a onda vermelha encher Portugal e empurrar a equipa para o título.


A feliz presença do equipamento do Nacional entre o cachecol e camisola do Benfica. Como que a dizer:
- Vamos fazer a festa juntos!
E foram quatro bananas no Dragão e outras tantas em Alvalade.


A feliz presença do equipamento do Nacional entre o cachecol e camisola do Benfica. Como que a dizer:
- Vamos fazer a festa juntos!
E foram quatro bananas no Dragão e outras tantas em Alvalade.
22/05/2005
20/05/2005
Momentos de um Derby
Equipas entram em campo. Ambiente fantástico.
Apoio incessante do público.
Já na 2º parte, Simão isolado por Nuno Assis, falha o golo, e fica prostrado no relvado. No exacto momento na zona do meio campo, Dos Santos, Ricardo Rocha, Petit e Miguel ajoelham-se no relvado, em sinal de incredulidade. Só Luisão permanece de pé, e incentiva os seus colegas a levantarem-se
Miguel acaba de falhar o 2º cruzamento perigoso para a baliza do Sporting, no espaço de 1 minuto. O público reage, e assobia. Ao observar que Miguel gesticula contra ele próprio, o estádio engole os assobios e aplaude o jogador incentivando-o. Miguel pára, levanta o braço em sinal de reconhecimento, e corre para recuperar a posição.
Miguel sai, cansado. Para o seu lugar entra Mantorras. Geovanni passa a jogar a defesa direito, lugar contra-natura para um extremo-direito brasileiro de 1,70 m. Mas Geovanni faz o seu trabalho.
Luisão, depois do golo, corre para a bancada, agarrando o símbolo do Benfica da sua camisola, e gritando: “É o Benfica porra!”
Nesta altura o Estádio da Luz, agarra literalmente o jogo, e diz: Os 3 pontos não vão a lado nenhum! E assim...
Dos 85 minutos de jogo até ao fim, Álvaro Magalhães abraça Giovanni Trapattoni, para nunca mais o largar.
Fim do jogo! Muita festa, celebração entre adeptos e jogadores. Se não fosse sábado, até poderíamos pensar que era uma 4ªfeira europeia...
Vamos a eles Benfica!!
Apoio incessante do público.
Já na 2º parte, Simão isolado por Nuno Assis, falha o golo, e fica prostrado no relvado. No exacto momento na zona do meio campo, Dos Santos, Ricardo Rocha, Petit e Miguel ajoelham-se no relvado, em sinal de incredulidade. Só Luisão permanece de pé, e incentiva os seus colegas a levantarem-se
Miguel acaba de falhar o 2º cruzamento perigoso para a baliza do Sporting, no espaço de 1 minuto. O público reage, e assobia. Ao observar que Miguel gesticula contra ele próprio, o estádio engole os assobios e aplaude o jogador incentivando-o. Miguel pára, levanta o braço em sinal de reconhecimento, e corre para recuperar a posição.
Miguel sai, cansado. Para o seu lugar entra Mantorras. Geovanni passa a jogar a defesa direito, lugar contra-natura para um extremo-direito brasileiro de 1,70 m. Mas Geovanni faz o seu trabalho.
Luisão, depois do golo, corre para a bancada, agarrando o símbolo do Benfica da sua camisola, e gritando: “É o Benfica porra!”
Nesta altura o Estádio da Luz, agarra literalmente o jogo, e diz: Os 3 pontos não vão a lado nenhum! E assim...
Dos 85 minutos de jogo até ao fim, Álvaro Magalhães abraça Giovanni Trapattoni, para nunca mais o largar.
Fim do jogo! Muita festa, celebração entre adeptos e jogadores. Se não fosse sábado, até poderíamos pensar que era uma 4ªfeira europeia...
Vamos a eles Benfica!!
O Ideário dos fundadores
Hoje mais do que nunca, fez e faz sentido este post, que foi o meu primeiro neste blog.
«Alegria, colorido e vivacidade nas cores do equipamento, como base do entusiasmo na luta em desporto; Emblema com base na Águia, como símbolo de elevação de propósitos e objectivos, longo espírito de iniciativa e ânsia de subir o mais alto possível; Legenda admirável como apologia da união E pluribus unum».
Ideário de José da Cruz Viegas, fundador do Sport Lisboa.
«Alegria, colorido e vivacidade nas cores do equipamento, como base do entusiasmo na luta em desporto; Emblema com base na Águia, como símbolo de elevação de propósitos e objectivos, longo espírito de iniciativa e ânsia de subir o mais alto possível; Legenda admirável como apologia da união E pluribus unum».
Ideário de José da Cruz Viegas, fundador do Sport Lisboa.
Momento de Verdade - III
Se ser adepto significa ficar caprichosamente à mercê de um punhado de jogadores, treinador, dirigentes e árbitros, então talvez um bom trabalho de casa para as férias futebolísticas seja avaliar até que ponto o nosso estatuto (e grau) de adepto é compatível com a nossa maioridade. E só mais um aviso: a perguntas incómodas correspondem, na maior parte das vezes, respostas desconfortáveis e decisões dolorosas.
Momento de Verdade - II
Dizia um jornalista, depois de um dos derradeiros jogos de pré-época do Benfica, que, com o Trappatoni, os adeptos teriam que se habituar a sofrer. Acertou na “mouche”. Na verdade, o italiano parece não saber vencer sem ser pela diferença mínima, se possível com o golo salvador surgindo nos últimos instantes da partida, pondo toda a equipa a defender a vantagem tangencial logo que ela surge. E por isso é compreensível que muitos adeptos encarnados não gostem de Trap. A vitória é fundamental, mas um Benfica a jogar vistosamente ao ataque constitui algo quase tão importante como os três pontos. No entanto, mesmo percebendo as razões criticas, parece-me totalmente descabida a onda anti-Trap que se começa a formar (sobretudo depois das últimas declarações à impressa italiana). Porque julgo que nasce da ingratidão e da falta de memória. De repente, parece que não estamos em posição privilegiada para ganhar o campeonato. Nem que a vitória nos escapa há já dez anos. Parece que o nosso plantel é vasto e de grande qualidade. Que as contratações no início e no meio da época foram excelentes. E que sem o italiano ao comando o barco não teria ido ao fundo com a onda de lesões de Dezembro e Janeiro. Gostemos ou não do estilo e do jogo de Trappatoni, a verdade é que se deve sobretudo a ele a posição que o Benfica ocupa. Outro faria melhor? Bom, aí entramos no reino pantanoso dos “ses”…
Momento de Verdade - I
E chegamos então ao momento decisivo. Mais noventa minutos e tudo fica resolvido. Numa época de “finais”, que se tornou um duro teste à sanidade emocional dos benfiquistas, marcamos outra vez encontro com a ansiedade, o medo, a esperança e a euforia. Pela última vez, aliviamos nós. E a satisfação reforça-se com o facto de partimos à frente e não precisarmos de muito para no fim sermos os primeiros. Só que estamos a falar de um jogo. E se eu acredito que vamos ser felizes, sei também que probabilidades não enchem a barriga a ninguém. As fés (com letra pequena), as superstições, os presságios e os augúrios não me dizem, não quero que digam, nada. Acredito que vamos ser campeões porque é razoável acreditar. E por isso vale a pena repetir:
– Força Benfica!
– Força Benfica!
14/05/2005
A correcção (da redacção)
Gabi:
Como teu professor de Português atribuo à redacção a classificação de Bom.
Em primeiro lugar, porque não tem nenhum erro ortográfico. Acho que isso se deve sobretudo ao corrector automático do Word mas, como não tenho a certeza, sou obrigado a dar o benefício da dúvida.
Depois, porque demonstras alguma perspicácia na observação. Sobretudo na alusão à cabeça de amendoim do Luisão. Ela revelou-se crucial para o desfecho do jogo. Na minha opinião, Ricardo tem o centésimo de hesitação fatal quando tenta perceber o que é aquele objecto informe que está entre as suas mãos e a bola.
Por fim, porque terminas com uma frase que me agrada bastante: “Força Benfica!” Sim, eu sei que este comentário é bastante pouco isento e profissional. Mas …quero lá saber! O título está tão perto que, sinceramente, não encontro frase mais apropriada para ser escrita numa folha de papel.
Como teu professor de Português atribuo à redacção a classificação de Bom.
Em primeiro lugar, porque não tem nenhum erro ortográfico. Acho que isso se deve sobretudo ao corrector automático do Word mas, como não tenho a certeza, sou obrigado a dar o benefício da dúvida.
Depois, porque demonstras alguma perspicácia na observação. Sobretudo na alusão à cabeça de amendoim do Luisão. Ela revelou-se crucial para o desfecho do jogo. Na minha opinião, Ricardo tem o centésimo de hesitação fatal quando tenta perceber o que é aquele objecto informe que está entre as suas mãos e a bola.
Por fim, porque terminas com uma frase que me agrada bastante: “Força Benfica!” Sim, eu sei que este comentário é bastante pouco isento e profissional. Mas …quero lá saber! O título está tão perto que, sinceramente, não encontro frase mais apropriada para ser escrita numa folha de papel.
13/05/2005
A redacção do Gabi
Amanhã o Benfica tem que ganhar ao Sporting. Porque eu gosto muito do Benfica. E também gosto dos golos do Mantorras mesmo a acabar os jogos, e do Luisão, porque é grande e tem a cabeça em forma de amendoim, e do Miguel porque corre muito, e do Simão porque à vezes faz umas fintas malucas. O Trappatoni, apesar de falar sozinho e esconder uma coisa na mão durante os jogos, também parece ser um senhor bonzinho. Eu vou ficar muito contente se o Benfica ganhar ao Sporting e for campeão. E a maior parte dos meninos portugueses também. Os jornais dizem que o Nuno Gomes, o Luisão e o Manuel Fernandes estão prontos para jogar. Ainda bem. Porque quando falta um dos onze jogadores que sabem jogar à bola a equipa vai-se logo abaixo. Eu gostava que Benfica estivesse em primeiro lugar, como esteve nos últimos dois meses. Mas está em segundo. E gostava que o Benfica não estivesse a perder a forma e a confiança. Mas está. Mas o que eu quero mesmo é que o Benfica ganhe ao Sporting e seja campeão. Por isso dou um grito igual ao meu pai:
- Força Benfica!
- Força Benfica!
09/05/2005
Muito mau
Pior do que o resultado, mau mas amortecido pelo que ainda restava da reserva de pontos, é a exibição do Benfica em Penafiel. A incapacidade para reagir à desvantagem no marcador e o desacerto dos avançados são os principais motivos de preocupação. De facto, foi mau demais. Ninguém diria, depois do golo penafidelense, que estava ali um candidato ao título, tal a falta de argumentos para chegar à vitória. E as ausências de Luisão, Manuel Fernandes e Nuno Gomes não explicam tudo. Neste momento, em que parece que o campeonato se vai decidir na recepção ao Sporting, resta-nos esperar que tenha sido apenas uma noite desinspirada. E já agora, que os três jogadores ausentes regressem em forma à titularidade.
O título decidido num derby só pode significar que tudo está em aberto. Na época das finais chegamos à maior de todas.
O título decidido num derby só pode significar que tudo está em aberto. Na época das finais chegamos à maior de todas.
06/05/2005
Mais um esforço...
Com a ausência de Luisão e Nuno Gomes, tudo aponta para que o Benfica inicie o jogo em Penafiel com duas duplas diferentes do habitual. No centro da defesa, com André Luiz e Ricardo Rocha. No ataque, fazendo alinhar Delibasic (ou Karadas) e Mantorras.
As consequências que estas alterações podem ter na qualidade do jogo da equipa são, obviamente, imprevisíveis. À primeira vista, a defesa corre o risco de ficar fragilizada. André Luiz ainda é uma incógnita, e Ricardo Rocha já mostrou que não pode ser ele a mandar no sector mais recuado. Como se vão entender os dois? Esta é das questão fundamentais do jogo. No ataque as perspectivas parecem mais animadoras. Um futebol tendencialmente directo, em vez das assistências e amortecimentos de Nuno Gomes, pode galvanizar a equipa. Mas para isso, mais do que a dupla na área, Simão e Geovanni, os municiadores, têm que estar em noite sim. De resto, e para colmatar qualquer possível lacuna, precisa-se da mesma garra e querer exibidos nos últimos encontros.
A caminhada continua. Já faltou muito mais. O passo, a tarefa, desta semana é ganhar ao Penafiel. Vamos a eles! Força Benfica!
As consequências que estas alterações podem ter na qualidade do jogo da equipa são, obviamente, imprevisíveis. À primeira vista, a defesa corre o risco de ficar fragilizada. André Luiz ainda é uma incógnita, e Ricardo Rocha já mostrou que não pode ser ele a mandar no sector mais recuado. Como se vão entender os dois? Esta é das questão fundamentais do jogo. No ataque as perspectivas parecem mais animadoras. Um futebol tendencialmente directo, em vez das assistências e amortecimentos de Nuno Gomes, pode galvanizar a equipa. Mas para isso, mais do que a dupla na área, Simão e Geovanni, os municiadores, têm que estar em noite sim. De resto, e para colmatar qualquer possível lacuna, precisa-se da mesma garra e querer exibidos nos últimos encontros.
A caminhada continua. Já faltou muito mais. O passo, a tarefa, desta semana é ganhar ao Penafiel. Vamos a eles! Força Benfica!
02/05/2005
Obrigação e tradição
Num fim-de-semana em que os candidatos ao título voltaram a ser apenas os três “grandes”, o Benfica cumpriu a obrigação e a tradição.
A obrigação porque venceu o jogo.
A tradição porque a vitória foi tangencial e cheia de ansiedade (sobretudo para os adeptos).
Os encarnados teimam em não concretizar oportunidades flagrantes de golo e a “tremer” quando os adversários, em desvantagem, deixam a defesa e avançam para o jogo taco-a-taco.
A nota mais positiva vai para Simão que, para além do regresso aos golos, apresenta evidentes melhorias, aproximando-se da forma que o distinguiu na primeira metade do campeonato.
A obrigação porque venceu o jogo.
A tradição porque a vitória foi tangencial e cheia de ansiedade (sobretudo para os adeptos).
Os encarnados teimam em não concretizar oportunidades flagrantes de golo e a “tremer” quando os adversários, em desvantagem, deixam a defesa e avançam para o jogo taco-a-taco.
A nota mais positiva vai para Simão que, para além do regresso aos golos, apresenta evidentes melhorias, aproximando-se da forma que o distinguiu na primeira metade do campeonato.
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