28/02/2006

Benfica e Scolari

Para quem não reparou, aqui fica o registo de uma exemplar transacção desportiva, no jogo que deu a vitória do Benfica sobre o Porto.
Durante a semana Scolari tinha deixado Simão de fora dos convocados para o particular da Selecção. O criativo encarnado parece ter percebido o recado e, mesmo não atingindo o nível a que já nos habituou, surgiu bem mais empenhado no jogo, o que se reflectiu positivamente na prestação da equipa. Por sua vez, o Benfica, através do seu, até aqui discreto, extremo francês Robert, infligiu mais um “frango” a Baía, selando de vez a polémica em torno da ausência do guarda-redes portista na Selecção e dando a Scolari a vitória sobre os seus detractores.
Dar e receber. Assim está bem. Um bom negócio é o que beneficia as duas partes.

24/02/2006

Benfica - Porto

E no domingo lá estarei, no meu lugar cativo, no meio daquela gente toda, a assistir a mais 90 minutos de futebol pobre do Benfica. Não será pela defesa que irei, mais uma vez, dar o meu tempo por mal empregue, maldizendo a minha vida e a minha burrice por ter mais uma vez ter caído na esparrela de acreditar que seria desta que iria ver um bom jogo de futebol dos encarnados, prescindindo assim de um bom serão passado com a família, preparando o corpinho para mais uma dura semana de trabalho que começa às 6,15 da manhã de cada segunda-feira com despertares difíceis. Não será, como dizia, pela defesa que a coisa correrá mal, parece-me. O Nelson deve render o Alcides e, se não render, não faz mal.
O problema começa um pouco mais à frente. Aquela atrapalhação toda do Beto, com a bola a fugir-lhe dos pés, cheia de um medo mais que compreensível dos habituais maus tratos do brasileiro esforçado e incapaz como ninguém. Consigo, os dois a jogar um pouco à frente de Petit, estará o drunfado Manuel Fernandes, meio alheio ao que se passa, com capacidade de reacção de funcionário público perante a pressão dos adversários, perdendo as bolas de um modo infantil como só ele tem conseguido saber fazer esta época, não sendo carne nem peixe, andando só por ali, desinteressado, como qualquer suburbano, que ele é, a fazer tempo para apanhar o barco ou o comboio ao final do dia.
Poderia surgir a ideia de Karagounis ou Karyaka. Enfim, alguém que tivesse mais um pouco de saber e qualidade no tratamento da bola do que estes dois criminosos do mau futebol infiltrados no onze inicial do Benfica. E, de facto, a ideia surge. Mas surge pouco ou nada. Sabemos que Koeman não gosta nenhum Kapa que não o que inicia o seu nome.
A frustração maior, pelo que pode fazer mas não faz, virá, todavia, de Simão. O imprestável ala, considerado imprescindível apesar de não fazer nada há mais de dez jogos, sabe que tem o seu lugar bem seguro. Quer dizer, tem lugar cativo na Luz, só que a diferença é que ele, notoriamente, não é benfiquista como os mais de 30 que lá estão. Simão nunca será substituído, assim como Nuno Gomes, outro cativo a quem pagam para não fazer nada de jeito há 1945 anos. Pronto, ok, não é bem assim, mas estou chateado e é isto que me sai.
Talvez o único sorriso possa vir a ser causado por Robert ou Manduca. E por aqui se vê o grau de desespero deste vosso escriba. Quando a esperança vem de Manduca, que mais haverá a dizer?
O que nos vale é que o Porto falha sempre nos jogos grandes.

Mentalização

Luisão e companhia:
A rotina a partir de agora tem que ser ganhar. Chame-se o adversário Porto, Naval ou Setúbal. Tudo o que o que signifique menos de três pontos não interessa.

22/02/2006

Benfica 1 vs 0 Liverpool








Grande noite europeia na Luz.

A catedral voltou a encher, e voltou a transformar a equipa do Benfica num adversário temível, até para o Campeão Europeu em título.

Já se sabia que as eliminatórias frente ao Liverpool, seja qual for o oponente, são sempre jogos muito tácticos, de grande paciência e de aposta no erro.

E foi isso que aconteceu ontem. Muitos podem vir argumentar da falta de brilhantismo da partida, mas o jogo do Benfica foi praticamente irrepreensível.

O Benfica entrou em campo muito cauteloso, demonstrado na utilização simultânea de Beto, Petit e Manuel Fernandes.

Com o passar do tempo, o temor ao Liverpool foi desaparecendo, e quem deu o toque para a fase seguinte do encontro foi Robert. As suas arrancadas com a bola, e a boa qualidade do passe, permitiram que o Benfica terminasse os últimos 10 minutos da 1ªparte a acercar-se da área dos ingleses, e conquistasse cantos.


Na 2ª parte, a toada do Benfica manteve-se, e em 10 minutos ganhou vários cantos. Ao quarto de hora era altura de passar à fase seguinte do jogo. Tirar Beto que fez bem o seu trabalho de desgaste e destruição do meio campo do Liverpool, e a entrada de Karagounis, para haver uma maior rotação da bola a meio campo e para a conquista de livres à entrada da área.

(Para lembrar que a única maneira, nas competições europeias, de criar lances de golo contra o Liverpool é através de lances de bola parada, seja cantos ou livres.)

Tempo ainda para a troca de Robert por Nelson. Nelson entrou muito mal no jogo, e foi pena Robert não ter mais “pernas”, pois a sua qualidade estava a ser fundamental para não deixar o ataque do Liverpool funcionar do seu lado esquerdo.

Por fim, num livre ganho por Karagounis, e num lance de laboratório Petit cruza como deve ser, e Luisão impondo o seu físico conclui de cabeça e finaliza assim a estratégia do Benfica para este jogo com sucesso.

Grande vitória do Benfica, plena de empenho, esforço e muita classe dos nossos jogadores.


Não posso deixar de destacar jogadores como o Luisão, o Grande Petit e o fenomenal Léo.

A eliminatória continua muito difícil, mas o campeão europeu vai ter de dar tudo o que tem para eliminar o Benfica. E para Anfield esperemos ter já Geovanni e possivelmente Miccoli.


Esta vitória, já ninguém nos tira.

À Benfica!

















Um Benfica com personalidade, de cabeça erguida, pode ganhar a qualquer um. Foi o que aconteceu frente ao Liverpool. Numa exibição que ficou longe de ser brilhante, os encarnados souberam manter em respeito o ingleses e aproveitaram a única grande oportunidade que dispuseram.
Numa feliz coincidência, os dois melhores do Benfica, Luisão e Petit, construíram o golo precioso que pode valer a passagem aos quartos-de-final. Mantenha-se a atitude de ontem e a eliminatória tem tudo para ser nossa.

21/02/2006

Liga dos Campeões - Benfica vs Liverpool


Hoje é dia de noite europeia.

Grande jogo em perspectiva. Estádio cheio, e o campeão europeu como adversário.
Não existe muito que possa ser dito sobre este jogo. O Benfica vem de uma fase má, mas estes jogos são especiais.

Muito se especula sobre a equipa que Koeman vai apresentar hoje. Se joga Alcides, se joga Manuel Fernandes ou Karagounis, todas estas dúvidas estão lançadas.

Sei sim, que vai ser um grandioso espectáculo e pode ser complementado com uma grande vitória do Benfica.

Vai ser interessante observar jogadores como Xabi Alonso ou principalmente Steven Gerrard.

Léo deverá ter cuidado com Luis Garcia, e Harry Kewell deverá ser a menor ameaça à defesa do Benfica.

Muita concentração e isto ainda vai lá.

Uma última nota, que se calhar pode ser compreendida como um presságio, bom ou mau não sei.
Esta manhã desloquei-me ao Estádio da Luz, e no sintético estava a treinar a equipa B, onde pude rever Paulo Almeida. Que quererá isto dizer?

20/02/2006

Análise fria

Uma análise fria e realista só pode concluir que a derrota em Guimarães constitui o fim das pretensões benfiquistas à revalidação do campeonato. Por este ano acabou. Custa-me dizê-lo, eu que nem sou nada pessimista, mas é assim. Claro que matematicamente tudo é possível. E a próxima jornada, com a recepção ao Porto, pode muito bem voltar a encurtar a distância para o primeiro lugar. Mas o problema não está nos nossos adversários. Eles irão perder pontos, muito provavelmente mais dos têm de avanço neste momento. O problema está no Benfica. A quebra anímica e a instabilidade exibicional da equipa no último mês colocam de fora uma premissa fundamental: a vitória em todas as jornadas por jogar. Tal não parece logicamente possível e, portanto, assumo desde já o falhanço encarnado na luta pelo bi-campeonato.
E no entanto… *

* Frase infiltrada pela facção fanática do adepto.

17/02/2006

Gumarães - Benfica

Perante a lista de convocados paras o jogo de Guimarães, realço dois pontos importantes.
Em primeiro lugar, o retorno de Karyaka. Após o processo de investigação concluído, o russo volta a ser carta no baralho de Koeman. A péssima imprensa que temos, veloz em condenar o russo apesar deste sempre ter negado ter dado a tal entrevista, nem sequer foi capaz de perceber que Karyaka continua inscrito na Champions. Koeman considera o russo como uma opção válida, disso não tenho dúvidas.
Em segundo lugar, o caso de Mantorras, que mais uma vez não foi convocado. Caído em desgraça, o atrapalhado angolano não mais irá conseguir recuperar um lugar no onze, para já não dizer nos convocados. O Pedro não avançou. Pode ser até que tenha sido vítima de uma certa euforia, amplificada pela imprensa, aqui há dois atrás, mas o facto de não ter evoluído, de parecer um jogador meramente instintivo, incapaz de pensar o jogo como outros, deverá pô-lo fora do Benfica no final da época.
Quanto ao jogo deste fim de semana, a equipa que eu gostava que jogasse, era a seguinte: Quim; Leo, Luisão, Anderson, Nelson; Petit, Manuel Fernandes, Simão, Manduca; Karagounis e Nuno Gomes.

Benfica contra o obscurantismo

No jogo com o Guimarães há um motivo extra para desejar a vitória do Benfica.
Como cristão não gosto, abomino mesmo, as bruxarias e as superstições. Sobretudo porque escravizam as pessoas. Não acredito no seu poder para influenciar a direcção dos acontecimentos, reconheço, antes, a total soberania de Deus, mas sei que os que se deixam levar pela superstição ficam presos a esse poder maligno. Portanto, tudo o que sirva para desacreditar bruxos e derivados tem o meu apoio.
O Benfica ao ganhar em Guimarães contribui para limitar a mentira da bruxaria. Andar vinte quilómetros com uma cruz, com todas as rezas e benzimentos associados, não tem influência nenhuma no resultado de um jogo de futebol. Acaba a superstição? Claro que não. Mas, pelo menos, alguns estarão menos certos no erro.

13/02/2006

Benfica 4 - 0 Penafiel

De volta às vitórias na Liga.

Depois de duas derrotas, ambas por 3-1, o Benfica voltou a ganhar e por uns esclarecedores 4-0, sobre o “condenado” Penafiel.

É verdade que a exibição do Benfica não foi muito conseguida, mas de cada vez que o Benfica acelerava e trocava 2 ou 3 passes, criava algum tipo de aperto nos adversários.

E foi assim, com naturalidade, que Geovanni abriu o marcador com excelente finalização após também excelente passe de Petit.

Depois na 2ªparte o jogo tornou-se mais lento, com muitas interrupções a quebrarem qualquer tentativa de introduzir velocidade. Mesmo assim, o Benfica aumentou a vantagem por Roberto na própria baliza, Nuno Gomes e Simão Sabrosa.

Relevo para a excelente finalização de Simão no último golo. É assim que se têm de concluir estes lances. Remate cruzado e colocado. Simples, como devem fazer sempre os grandes jogadores.

Karagounis e Manduca não estiveram especialmente bem. O Robert ontem esteve vários furos daquilo que pode fazer.

Pela exibição e pela capacidade física evidenciada pelo Léo, talvez compreendamos melhor o facto de em Janeiro ter sido pouco utilizado. O mesmo acontecendo com Nelson neste dois últimos encontros.
Esperam-nos ainda 3 encontros de muita dificuldade este mês. Dois deles de importância crucial.

09/02/2006

Taça de Portugal

E pronto, o Benfica já está nos quartos-de-final da taça.

Segunda-feira é o sorteio.

P.S.- No jogo de ontem, parecia que o Marcel tinha tábuas em vez de pés. Se calhar, é só impressão minha.

06/02/2006

Fevereiro, mês das finais - Parte II

Duas derrotas consecutivas. É assim que se tem de começar este post.

Mas duas derrotas distintas. Se com o Sporting a derrota foi merecida pois a equipa fez o pior jogo que lhe vi esta época, já a derrota com o Leiria é bem diferente. Os golos sofridos vieram de um grande remate de João Paulo, e do aproveitamento de erros de passe ou de posicionamento. Por seu lado o Benfica criou inúmeras oportunidades que lhe podiam dar um desfecho favorável do encontro. No entanto, ao desacerto defensivo juntou-se ou desacerto na finalização.

Vários jogadores não estiveram bem, mas outros estiveram melhor. Marcel já apresenta alguma utilidade, e Robert fez um bom jogo começando a mostrar como pode desequilibrar.

Tendo dito isto, e para finalizar o assunto deste jogo, concluo com o seguinte: do ponto de vista do adepto de futebol que só quer ver uma boa partida, este foi um bom jogo de futebol, com duas boas equipas.

O que vai acontecer então agora? Como será o futuro do Benfica? Terá hipóteses de ainda lutar pela reconquista do título? Claro que sim. E digo isto por 4 factores simples.

- Desde o princípio do ano, o FC Porto perdeu 5 pontos, o Sporting perdeu 5, e o Benfica perdeu 6. Assim, não podemos concluir que os candidatos estejam em melhor forma que o Benfica.

- As séries de vitórias: Para além de um conjunto de vitórias isoladas, as melhores sequências de Porto e Sporting foram 4 e 3 vitórias, respectivamente. O Benfica nunca teve vitórias isoladas, mas apresenta duas sequências de 5 e 7 vitórias. Concluímos assim que provavelmente o Benfica irá recuperar nos próximos 5 jogos cerca de 5 pontos aos seus adversários.

- Outro factor é o plantel. Definitivamente o Benfica tem um melhor plantel e com melhores soluções.

- Daqui a 3 jornadas receberemos o Porto.

Importantíssimo, é que o pessoal continue a apoiar a equipa. É chato sentir que para além de nós, ainda nos tenhamos de preocupar com os deslizes dos outros. Mas, com o apoio do estádio da luz, creio que a história se repetirá, e a onda vermelha leve novamente ao colo estes jogadores para o bicampeonato.

A derrota em Leiria e o futuro

Nova derrota por 3-1, desta vez em casa do União de Leiria. O mês de Fevereiro, que eu tinha definido como “terrível”, não podia estar a correr pior. No entanto, e apesar do resultado igual, a exibição contra o Leiria foi bem mais agradável. O Benfica perdeu o jogo por causa de erros individuais, que aconteceram em todos o sectores – da baliza aos avançados, e não por ter jogado menos que o adversário.
Torna-se cada vez mais evidente que este abanão numa equipa que demonstrava grande solidez se deve à entrada dos reforços de Inverno. No ano passado entrou apenas Assis e a equipa beneficiou dessa mais-valia sem ver abalada as estruturas fundamentais. Este ano foram cinco os reforços (Robert, Marcel, Marco Ferreira, Manduca e Moretto) e tanto a adaptação da equipa aos novos elementos como a reacção dos preteridos não foi a melhor. Podia-se ter evitado tal perturbação com uma entrada mais progressiva dos reforços no onze? Talvez. Mas o que está feito está feito. Agora importa olhar em frente.
Pode parecer paradoxal, mas eu estou optimista. A melhoria exibicional e o potencial dos novos jogadores prometem, para breve, um Benfica mais forte e mais consistente. No entanto, para que tal se concretize é preciso manter a união do grupo. Mas também aqui há motivos para optimismo. Koeman, com defeitos noutras áreas, parece-me ser um disciplinar eficaz.
Que venha o Nacional, para a Taça, e prossiga a ascensão.

01/02/2006

E agora Benfica?

Mau resultado, péssima exibição, contra o Sporting. Na altura em que podíamos ter “arrumado” um competidor directo e colado ao outro, fazemos o pior jogo da época.
Curiosamente, aconteceu o mesmo na época passada. No final de Janeiro de 2005 o Benfica jogava mal em casa com o Beira-mar, perdendo por dois a zero, atrasava-se na classificação e punha em causa o título.
Mas a história (quase) nunca se repete.
Foi no final do encontro com os aveirenses que Luisão fez a célebre promessa: "No final do campeonato o Benfica será campeão!"
Este fim-de-semana os jogadores reagiram com um silêncio sepulcral. E alguns dias depois Simão, no seu site oficial, fez queixas e lançou algumas dúvidas quanto à capacidade da equipa (texto entretanto retirado).
O que se passa? Vários hipóteses me ocorrem. Mas quero acreditar,pelo menos até ao jogo em Leiria, que Sábado foi apenas um dia em que tudo correu mal.