31/01/2007

O momento em que a paixão nasce

É o inicio da noite desta quarta-feira 30 de Junho de 2004. Um homem de meia idade e uma criança de cerca de oito anos estão sentados no sofá da sala de uma vivenda nos subúrbios luxuosos de Copenhaga.
A luz do televisor ilumina as paredes. Estão a ver um jogo de futebol. Já se iniciou a segunda parte do jogo e Portugal vence por uma bola a equipa da Holanda, na meia final do Campeonato da Europa. O miúdo, que o pai há muito tenta incentivar a gostar de futebol, já vibrou com o golo de um jogador que ainda não conhecia, Cristiano Ronaldo. Agora, começa-se a desinteressar, levado pela ausência de mais golos.
E é no momento em que o pai, adepto do FC Copenhaga, vendo o filho a alhear-se, lhe pergunta se não gostaria de entrar para as escolas do clube, "para fazer desporto", que acontece o momento de magia.
Um jogador de vermelho, sobre o lado esquerdo, ainda antes da área holandesa, desfere um remate brutal em arco. A bola entra ao ângulo, deixando batido o guarda-redes holandês.
O miúdo abre muito os olhos, ao mesmo tempo que liberta uma exclamação. O pai dá também um grito de espanto. Ficam os dois a olhar as várias repetições em silêncio, num momento de assombro.
Fazem vários comentários e o pai aproveita para dizer ao miúdo que o nome daquele jogador, "Maniche", é uma alcunha posta por causa de um dinamarquês que jogava no Benfica quando este jogador, que marcou aquele golo, tinha a mesma idade dele. Acrescenta, com orgulho, que esse antigo jogador é agora um dos directores do FC Copenhaga.
O rapaz fica a olhar para ele durante uns momentos. Depois, tocado, talvez pela primeira vez na vida, pela magia do futebol, responde ao pai que quer começar a jogar futebol e se o pai o leva "para ver como é".
Num momento mágico, pai e filho sentem-se unidos por mais um laço. Tudo graças a um momento de um jogador português que teve a sorte de crescer num clube longínquo e grande chamado Benfica.

29/01/2007

Uma questão de Ecologia


Do lado esquerdo do ataque do Benfica, um homem ajeita a bola enquanto se vão aconchegando na área os defesas centrais, avançados e médios das duas equipas. Está frio e há algum vento. O homem baixa-se, desfaz o laço da chuteira, que se adivinha demasiado folgado, e ata de novo calmamente os cordões. O árbitro apita. Os jogadores na área começam a movimentar-se sem tirar os olhos do homem que agora se levanta, ajeita de novo a bola e dá dois passos para trás, olhando para a área. O guarda-redes adversário aponta e grita ordens de atenção aos companheiros, demasiado compenetrados em marcar, em movimentos de esconde-esconde, os jogadores de encarnado. Todos olham para o homem que agora avança para a bola e, sem muito balanço, a atira teleguiada para a entrada da pequena área. Um gigante salta atrás de um homem de azul, ganhando-lhe a posição e o privilégio de ser ele a acertar na bola. A bola entra, impossível de ser parada pelo guarda-redes.


A Natureza vence. As regras do Universo são simples. A condição natural de um benfiquista é ganhar, só lhe bastando obedecer às leis primordiais. A partir de agora, basta aos seus colegas saber que Rui Costa está em campo, que a ordem natural das coisas prevalecerá a partir do génio do número 10. No fundo trata-se só de respeitar a natureza.

28/01/2007

Mais perto

Aproveitando os deslizes dos mais directos adversários (derrota do Porto em Leiria e empate do Sporting no Bessa) o Benfica sobe na tabela e retoma ânimo com a vitória, por 2-1, no Restelo.
Com mais pragmatismo do que brilho, a exibição dos encarnados deixa um sentimento ambíguo no ar. Por um lado, a consistência defensiva, a capacidade de luta do meio campo e a percentagem de concretização prometem luta permanente pela vitória. Por outro lado, um Benfica pouco mandão, que não pega no jogo, sujeita-se a sofrer alguns dissabores.

26/01/2007

Derlei no Benfica pode ser a solução

A chegada de Derlei ao Benfica pode ser a melhor prenda de Natal atrasada para Santos e, já agora, para todos nós os benfiquistas.
A recuperação (aparente) de Rui Costa veio trazer a questão de uma mudança de táctica. O 4-3-3 surge como solução óbvia, sob pena de, se se mantivesse o 4-4-2 losango, o melhor jogador do Benfica, Simão, ter de ficar a jogar na posição de médio interior direito ou como um dos dois avançados.
Mas havia o problema da ala direita, entregue a Manu no último jogo, numa situação de remendo injusta para o jogador, que nunca poderia render nem um décimo do que Simão rende no lado oposto pela simples razão de não ser talhado para as funções. Manu é jogador para surgir de trás em velocidade, mas pelo meio, beneficiando de triangulações com os médios e avançados.
Com Derlei, o Benfica fica habilitado a espectro de soluções mais vastas, quer por saber fazer as triangulações e diagonais necessárias á função, quer pela polivalência que lhe permite a sua experiência, não lhe sendo estranho jogar como segundo ponta de lança. Além disso, Derlei traria duas mais valias preciosas ao jogo do Benfica, características que no ataque (exceptuando talvez Miccoli, mas esse vai contando cada vez menos) não existem de momento. A combatividade e o à vontade em rematar de onde quer que esteja.
Finalmente, e tirando o medo pela sua grave lesão, que se diz estar completamente debelada, fazer dele um outro que não o Derlei de Mourinho, há ainda a expectativa de que a sua experiência internacional (não nos devemos esquecer que é jogador que carrega com a conquista da Champions e da UEFA no curriculo) possa fazer com que a equipa possa vir ter aspirações à conquista do troféu europeu.
Mesmo que Derlei não venha para o Benfica, está assinalado o alvo do tipo de jogador que precisa.

19/01/2007

A ilusão do Benfica da minha infância está quase morta


(o Nuno Gomes não tem nada a ver com isto, mas seria assim que os adeptos benfiquistas veriam há trinta anos os jogadores do Benfica se os vissem a equipar de rosa)


"Segundo o Record apurou" (uma das frases mais estúpidas e que mais mentiras protege no mundo) o equipamento do Benfica para o próximo ano vai da cor que se vê aí em cima.
Aos poucos, quer pela mudança de atitude dos jogadores e treinadores, quer por alterações deste género, o Benfica que eu conheci vai-se desvanecendo. Os jogadores são umas meninas encapotadas que se atiram para o chão a tentar enganar o árbitro, demonstrando que não são homens a sério, verticais, com honra e ética no seu trabalho, decididos a ganhar de uma maneira justa e pelos seus méritos de jogarem à bola.
Os treinadores jogam para defender resultados miseráveis de 1-0 (se for preciso durante oitenta minutos) com equipas como o Paços de Ferreira ou Aves, por exemplo.
A identidade de uma equipa aos olhos dos adeptos, que passa também pelo próprio equipamento (as cores da nossa tribo) é prostituída anualmente com equipamentos alternativos (já para não falar dos principais) de um modo que só, neste caso, mesmo a Adidas poderá entender.
Bem sei que é tudo um negócio, mas vai morrendo a ilusão do meu Benfica de antigamente. Ele existiu, eu sei. O Néné, o Humberto Coelho, o Chalana e por ai. Eram valentes. Tinham coragem e pouco material. Jogava-se sempre para ganhar e pronto. Sem rosa, nos equipamentos...

18/01/2007

É agora que vamos para um 4-4-2 a sério?

Chegou a altura das verdadeiras dores de cabeça para o Sr.Santos. O plantel está todo disponível, o que não augura nada de bom.
De caras, sabe-se quais são os melhores jogadores para fazer o onze. Isto é, os obrigatórios. Não tem nada que saber, assim como os respectivos suplentes entre parentes

- Quim (Moreira)
- Nelson (Pedro Correia)
- Luisão
- Ricardo Rocha (Anderson)
- Leo (Miguelito)
- Petit (Beto)
- Katsouranis (Karagounis)
- Rui Costa (Karyaka)
- Simão (Paulo Jorge
- Nuno Gomes ( Mantorras)
- Miccoli (Manu)

mas isso é o que nos deve preocupar. E deve preocupar a sério. Qual é a táctica? Se a defesa não apresenta grandes questões, já do meio-campo para a frente a coisa complica-se.
Três ou quatro médios? Se quatro, então vai continuar a usar-se o esquema ridículo e provinciano do losango? E com quem? Petit, Katsouranis, Rui Costa e Simão? Encaixar o Simão à força numa posição de médio interior esquerdo ou essa posição será para Rui Costa, jogando o Simão no apoio aos pontas de lança?
Vamos supor que o Sr.Santos ganha juizo e, do mal o menos, aposta num 4-3-3. Petit, Katsouranis no meio e Rui Costa no meio. Ok, pode ser. Simão numa ala, como é justo para o futebol. Mas, e em relação ao lado direito? Miccoli? Vamos por o Miccoli a jogar na ala? Não dá. O rapazinho vai ficar insatisfeito em menos de nada, já que também deve ter percebido que o Nuno Gomes jogará sempre, haja o que houver.
Por mim, era um 4-4-2 clássico. Alas com Simão e Manu. Meio Campo com Katsouranis e Rui Costa, num esquema mais ofensivo, e Katsouranis e Petit num mais defensivo. À frente O Nunico e o Miccolli.
Insatisfeitos? Fácil: Karagounis e Petit, que o Karyaka já está habituado.

17/01/2007

Sebastian Deisler



Sebastian Deisler deixa o futebol profissional aos 27 anos. Uma recorrente lesão retira-lhe a confiança na sua própria capacidade de entrar em campo e ser como em tempos foi.

Uma pena. Uma verdadeira pena. Aqui estava um grande jogador de futebol, daqueles que dá gosto ver. Grande qualidade de passe, grande capacidade de remata, muita resistência e capacidade física no meio campo. Principalmente uma grande percentagem de passes acertados.

Fica a homenagem e a referência a um jogador de futebol que deixa os relvados.

A foto é de Junho de 2000, durante o Euro2000.

15/01/2007

Onde estás tu Manel??



Onde estás tu Manel??

Serás mais um português desempregado, a procurar trabalho numa fábrica de queijos de Inglaterra??

Ou estarás por aí pelo sul da Velha Albion, num qualquer Carnival a trabalhar como vendedor de farturas??

Onde estás tu Manel??

03/01/2007

O Ano de 2006




O que se pode dizer do ano de 2006?

Acabamos o ano em terceiro lugar na Liga, igual posição em que terminámos o campeonato 05/06.

Fomos eliminados precocemente da Taça de Portugal, e já na época 2006/07 falhámos a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Mas vá lá, seguimos para a Taça UEFA onde temos boas perspectivas de pelo menos chegar aos Quartos-de-final.

As contratações de Janeiro de 2006 não se revelaram muito eficazes. Manduca, Marcel e Robert já não estão no clube e Marco Ferreira para lá caminha. Moretto anda no vai não vai, mas é um jogador útil e deve ficar.

Por outro lado, no verão recebemos Rui Costa, Katsouranis, Miccoli novamente, Miguelito, Kikin Fonseca. Todos jogadores de grande valor e de créditos firmados. E ainda entraram os “humildes” Manu e Paulo Jorge. Infelizmente perdemos Manuel Fernandes para Inglaterra.

Voltámos a mudar de treinador. Ronald Koeman voltou a casa, onde dia a dia comprova a sua qualidade, e tornámos a ter um mister português: Fernando Santos. Vamos ver se no fim da época os resultados são melhores.

Mas apesar de a época ter ficado algo abaixo das expectativas, houve algo de muito bom e extraordinário até.

A campanha na Liga dos Campeões foi bonita e heróica. Duas vitórias frente ao Liverpool campeão europeu, um empate na Luz frente ao Barcelona e derrota e eliminação no Camp Nou. Foram momentos inesquecíveis. Podia aqui enumerar os golos como o momento do ano.

Mas para mim o momento do ano foi mesmo este o da imagem: o momento em que o Simão falha a igualdade em Barcelona. O momento em que estivemos mais perto do sonho.