Na semana em que termina, com a recepção ao surpreendente Leixões, o complicado mês de Fevereiro, e sabendo já que, mesmo no melhor dos cenários – vitória do Sporting no Dragão e vitória caseira frente aos de Matosinhos, não estaremos no primeiro lugar da Liga, preciso, em nome da memória histórica, deixar aqui registado que, em circunstâncias normais, o Benfica, em vez dos actuais quatro pontos de atraso, estaria isolado com três pontos de avanço. O cálculo é simples: some-se os pontos perdidos com os erros “inexplicáveis” e com influência directa no resultado nos jogos com o Porto, no Dragão, e Setúbal e Nacional, na Luz. Dou de barato o resto dos erros, e foram muitos contra nós e muitos a favor dos nossos adversários, sobretudo o Porto (quem havia de ser?…). No futebol, às vezes é-se beneficiado pelas arbitragens (como aconteceu com o Benfica na recepção ao Braga), outras vezes prejudicado. Mas quando a balança pende ostensivamente para um dos lados então algo vai mal e a verdade desportiva está posta em causa.
Já vi demasiadas vezes este filme: o Porto levado ao colo, quando, como todas as equipas, tem oscilações de forma, e os adversários puxados para baixo, criando, ou agravando, as tais oscilações de forma. Depois, de todos estabilizados, uns em cima e outros em baixo, esquecem-se os efeitos dos erros da arbitragem e tenta-se pintar o quadro da normalidade desportiva.
Mas desta vez fica aqui registado: se tudo corresse dentro da normalidade, em vez de estar em segundo com quatro pontos de atraso, o Benfica seria, à 19ª jornada, líder destacado, com três pontos avanço.
24/02/2009
14/02/2009
Cultura desportiva

Suazo: cada golo custou ao Benfica 240 mil euros. Em 2005/2006 pelo Cagliari fez 22.
O que é mirabolante no Benfica são os avançados. Nada de árbitros, médios, adeptos ou, como em alguns clubes, os roupeiros.
Um exemplo exterior é Nenê, assim mesmo com chapéu. Leva 14 golos no campeonato. Foi contratado por tusta e meia ao Cruzeiro pelo Nacional da Madeira de Machado. A equipa do Treinador Foca tem um surpreendente melhor ataque da Liga, juntamente com o FCP, e metade dos golos, a matemática é simples, têm a impressão digital do jogador brasileiro.
Um segundo exemplo da mirabolante profissão de avançado, é dado pelos avançados do Benfica Cardozo, Nuno Gomes, Suazo e Aimar. Basta uma mão para conseguir contar os golos de cada um deles esta época. São internacionais cotadissimos, cujo soma de salários será com certeza maior que a totalidade dos do plantel do Nacional.
Mantorras é o terceiro e último exemplo. Convocado por lesão de Suazo, entrou num único jogo para a Liga. Passados nem 5 minutos estava a marcar. É melhor que os outros colegas? Não. Faz melhor ao espírito do adepto? Sim.
Se, como Mantorras, Nenê estivesse no plantel do Benfica, seria altamente provável não jogar. Jogariam os outros que, como ele, tirando o Nuno Gomes, fizeram no passado, noutros clubes, o que ele está agora a fazer na Madeira.
Parece-me ser certo que o Pedro ou o brasileiro não são jogadores para o Benfica. Não porque não sejam capazes de marcar golos com regularidade, mas porque, exactamente, o fazem. Cada clube, uma cultura desportiva. Neste caso, esta particularidade, este excentricidade é antropofagica mas, como mais que aparente, certa, não há nada a fazer.
13/02/2009
Restart

Vamos lá voltar a escrever com assiduidade neste blog.
O Sector no estádio é diferente, mas a presença persiste. Domingo mais um jogo, mais 3 pontos.
Um Benfica que alguns imaginariam de sonho, vendo os intérpretes que temos este ano. Mas como em tudo na vida, para se ser vencedor primeiro têm de ser feitos sacrifícios. A equipa cresce, apesar das exibições menos vistosas. A defesa está melhor, apesar da seca dos principais avançados.
A história desta época vai ser assim. A equipa vai ter de ir vencendo as batalhas contra ela própria, contra o Benfica do passado.
07/02/2009
Outros factores
As próximas quatro semanas devem ser decisivas para a atribuição do título deste ano. O Benfica parte para estas rondas em segundo, com um ponto de atraso, e vai já amanhã ao Dragão. Contínua sem estabilizar as exibições e o modelo de jogo, permanece bipolar, e, sendo assim, não pode ser considerado favorito. Mas o futebol não é uma ciência exacta. Basta olhar para o jogo do passado fim-de-semana na Luz, contra o Rio Ave. O inacreditável Mantorras, que muitos já julgavam definitivamente arrumado na prateleira, entrou e em três minutos decidiu o jogo. O futebol tem essa dimensão quase mítica, que dá esperança aos mais fracos e faz tremer os mais fortes. O "fenómeno Mantorras" pode ser, então, o factor de desequilíbrio a nosso favor. Força Benfica!
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