A época termina com o Benfica no terceiro lugar da Liga, reeditando desilusões já conhecidas. Também reeditado, nunca é demais dizê-lo, o papel decisivo da arbitragem na atribuição do título (como se explica no post anterior). Dirão muitos que o Benfica, pelo que jogou, não seria campeão. Nunca o saberemos, respondo eu. O que não falta na história do futebol são campeões a jogar mal e campeonatos decididos por golos fortuitos ou falhanços incríveis. Ao interferir no normal desenrolar de muitos jogos, quase sempre para o mesmo lado, a arbitragem desvirtuou a verdade desportiva. Quem pode garantir que se não fosse protegido nos momentos mais difíceis o F.C. Porto chegaria à consistência de jogo a que chegou? Essa é a dúvida, a sentença, que, mais uma vez, fica agrafada ao título.
Mas, independentemente da credibilidade do vencedor, a verdade é que o Benfica voltou a desiludir. Quique parece ter perdido, assim, todo espaço de manobra, e anuncia-se já Jorge Jesus como futuro treinador. Sou dos que reconhecem a necessidade de um trabalho com maior profundidade do que o imediatismo de uma época. Mas perante a obstinada não evolução da equipa ao longo de tantos meses, julgo que o mal menor é mesmo a saída do espanhol.
Quanto ao ainda treinador do Braga, digo o seguinte: se no fim da época passada estava, de caras, no meu top 3 para a sucessão de Chalana, nesta altura cabe apenas no top 5 para ocupar a vaga de Quique. Não que tenha dúvidas quanto às suas aptidões técnicas. Mas falta-me a mesma confiança na sua capacidade para liderar jogadores com o estatuto dos do Benfica.
19 de Mai de 2009
24 de Fev de 2009
Registo
Na semana em que termina, com a recepção ao surpreendente Leixões, o complicado mês de Fevereiro, e sabendo já que, mesmo no melhor dos cenários – vitória do Sporting no Dragão e vitória caseira frente aos de Matosinhos, não estaremos no primeiro lugar da Liga, preciso, em nome da memória histórica, deixar aqui registado que, em circunstâncias normais, o Benfica, em vez dos actuais quatro pontos de atraso, estaria isolado com três pontos de avanço. O cálculo é simples: some-se os pontos perdidos com os erros “inexplicáveis” e com influência directa no resultado nos jogos com o Porto, no Dragão, e Setúbal e Nacional, na Luz. Dou de barato o resto dos erros, e foram muitos contra nós e muitos a favor dos nossos adversários, sobretudo o Porto (quem havia de ser?…). No futebol, às vezes é-se beneficiado pelas arbitragens (como aconteceu com o Benfica na recepção ao Braga), outras vezes prejudicado. Mas quando a balança pende ostensivamente para um dos lados então algo vai mal e a verdade desportiva está posta em causa.
Já vi demasiadas vezes este filme: o Porto levado ao colo, quando, como todas as equipas, tem oscilações de forma, e os adversários puxados para baixo, criando, ou agravando, as tais oscilações de forma. Depois, de todos estabilizados, uns em cima e outros em baixo, esquecem-se os efeitos dos erros da arbitragem e tenta-se pintar o quadro da normalidade desportiva.
Mas desta vez fica aqui registado: se tudo corresse dentro da normalidade, em vez de estar em segundo com quatro pontos de atraso, o Benfica seria, à 19ª jornada, líder destacado, com três pontos avanço.
Já vi demasiadas vezes este filme: o Porto levado ao colo, quando, como todas as equipas, tem oscilações de forma, e os adversários puxados para baixo, criando, ou agravando, as tais oscilações de forma. Depois, de todos estabilizados, uns em cima e outros em baixo, esquecem-se os efeitos dos erros da arbitragem e tenta-se pintar o quadro da normalidade desportiva.
Mas desta vez fica aqui registado: se tudo corresse dentro da normalidade, em vez de estar em segundo com quatro pontos de atraso, o Benfica seria, à 19ª jornada, líder destacado, com três pontos avanço.
14 de Fev de 2009
Cultura desportiva

Suazo: cada golo custou ao Benfica 240 mil euros. Em 2005/2006 pelo Cagliari fez 22.
O que é mirabolante no Benfica são os avançados. Nada de árbitros, médios, adeptos ou, como em alguns clubes, os roupeiros.
Um exemplo exterior é Nenê, assim mesmo com chapéu. Leva 14 golos no campeonato. Foi contratado por tusta e meia ao Cruzeiro pelo Nacional da Madeira de Machado. A equipa do Treinador Foca tem um surpreendente melhor ataque da Liga, juntamente com o FCP, e metade dos golos, a matemática é simples, têm a impressão digital do jogador brasileiro.
Um segundo exemplo da mirabolante profissão de avançado, é dado pelos avançados do Benfica Cardozo, Nuno Gomes, Suazo e Aimar. Basta uma mão para conseguir contar os golos de cada um deles esta época. São internacionais cotadissimos, cujo soma de salários será com certeza maior que a totalidade dos do plantel do Nacional.
Mantorras é o terceiro e último exemplo. Convocado por lesão de Suazo, entrou num único jogo para a Liga. Passados nem 5 minutos estava a marcar. É melhor que os outros colegas? Não. Faz melhor ao espírito do adepto? Sim.
Se, como Mantorras, Nenê estivesse no plantel do Benfica, seria altamente provável não jogar. Jogariam os outros que, como ele, tirando o Nuno Gomes, fizeram no passado, noutros clubes, o que ele está agora a fazer na Madeira.
Parece-me ser certo que o Pedro ou o brasileiro não são jogadores para o Benfica. Não porque não sejam capazes de marcar golos com regularidade, mas porque, exactamente, o fazem. Cada clube, uma cultura desportiva. Neste caso, esta particularidade, este excentricidade é antropofagica mas, como mais que aparente, certa, não há nada a fazer.
13 de Fev de 2009
Restart

Vamos lá voltar a escrever com assiduidade neste blog.
O Sector no estádio é diferente, mas a presença persiste. Domingo mais um jogo, mais 3 pontos.
Um Benfica que alguns imaginariam de sonho, vendo os intérpretes que temos este ano. Mas como em tudo na vida, para se ser vencedor primeiro têm de ser feitos sacrifícios. A equipa cresce, apesar das exibições menos vistosas. A defesa está melhor, apesar da seca dos principais avançados.
A história desta época vai ser assim. A equipa vai ter de ir vencendo as batalhas contra ela própria, contra o Benfica do passado.
7 de Fev de 2009
Outros factores
As próximas quatro semanas devem ser decisivas para a atribuição do título deste ano. O Benfica parte para estas rondas em segundo, com um ponto de atraso, e vai já amanhã ao Dragão. Contínua sem estabilizar as exibições e o modelo de jogo, permanece bipolar, e, sendo assim, não pode ser considerado favorito. Mas o futebol não é uma ciência exacta. Basta olhar para o jogo do passado fim-de-semana na Luz, contra o Rio Ave. O inacreditável Mantorras, que muitos já julgavam definitivamente arrumado na prateleira, entrou e em três minutos decidiu o jogo. O futebol tem essa dimensão quase mítica, que dá esperança aos mais fracos e faz tremer os mais fortes. O "fenómeno Mantorras" pode ser, então, o factor de desequilíbrio a nosso favor. Força Benfica!
15 de Jan de 2009
Sobre as arbitragens
Já conhecemos este filme. A pretexto de um jogo em que o Benfica foi beneficiado por erros de arbitragem, e recuperou, assim, o primeiro lugar da Liga, pretende-se passar uma esponja sobre as treze jornadas anteriores e decretar o Benfica como principal ocupante do “colo do sistema”. É um filme que conhecemos, mas que claramente não convence. Um olhar atento para o que se passou de Agosto até agora torna evidente que, entre os três chamados grandes, tem sido o Benfica o mais prejudicado – um sucessão quase contínua de penaltis por marcar, foras-de-jogo mal assinalado e golos limpos invalidados.
Como não é uma andorinha que faz a Primavera, também não é um benefício que apaga, como que por artes mágicas, uma mão cheia de prejuízos. Os adversários do Benfica que tentem outra coisa. Porque o filme que querem passar já está muito visto.
Como não é uma andorinha que faz a Primavera, também não é um benefício que apaga, como que por artes mágicas, uma mão cheia de prejuízos. Os adversários do Benfica que tentem outra coisa. Porque o filme que querem passar já está muito visto.
23 de Dez de 2008
À frente!
Um Benfica intermitente e bipolar termina o ano sem saber bem o que esperar de 2009.
No campeonato atingiu, finalmente, o primeiro lugar. Quebrada a barreira psicológica que nos últimos anos tinha impedido que experimentássemos a alegria de não ter ninguém à frente, com gordos 6-0 no Funchal, o Benfica acaba o ano no topo da tabela. E podia estar melhor, com maior margem de avanço, não fossem os “lapsos” da arbitragem, como a incrível invalidação do golo que daria, ontem, a vitória sobre o Nacional.
Sorte diferente na Taça. Continuando sem perder nas competições internas, mais forte e mais consistente, mas não marcando golos, o Benfica foi afastado pelo Leixões na lotaria dos penaltis.
E na UEFA, o descalabro. Ao nível do pior de sempre – seis jogos, uma vitória, um empate e quatro derrotas, uma delas por 5-1.
Agora, concentrados numa única competição – a Liga, pede-se, para já, o assentar ideias e a estabilização dos ânimos durante as mini-férias de Natal. Já se percebeu que os adversários são muitos, e jogam dentro e fora do campo. Pede-se, portanto, a jogadores, treinadores e dirigentes a máxima concentração. Só assim podemos ganhar o campeonato. E se Janeiro trouxer reforços, pontos debéis evidentes na equipa, melhor.
Olhando para trás, e recordando que o Benfica era, dos candidatos ao título, o que partia em maior desvantagem – equipa e treinador novos, dificilmente poderíamos desejar melhor para o campeonato. Estamos à frente. Mas, não é demais recordar, barco ainda está longe de chegar a bom porto. Quique, ele próprio aprendendo a viver num clube da dimensão do Benfica, precisa melhorar aspectos fundamentais. Sobretudo na consistência de jogo, que tem que crescer muito, e na atitude ganhadora, “matadora”, que tem que durar os noventa minutos.
Mas, por agora, gozemos a liderança.
Força Benfica!
No campeonato atingiu, finalmente, o primeiro lugar. Quebrada a barreira psicológica que nos últimos anos tinha impedido que experimentássemos a alegria de não ter ninguém à frente, com gordos 6-0 no Funchal, o Benfica acaba o ano no topo da tabela. E podia estar melhor, com maior margem de avanço, não fossem os “lapsos” da arbitragem, como a incrível invalidação do golo que daria, ontem, a vitória sobre o Nacional.
Sorte diferente na Taça. Continuando sem perder nas competições internas, mais forte e mais consistente, mas não marcando golos, o Benfica foi afastado pelo Leixões na lotaria dos penaltis.
E na UEFA, o descalabro. Ao nível do pior de sempre – seis jogos, uma vitória, um empate e quatro derrotas, uma delas por 5-1.
Agora, concentrados numa única competição – a Liga, pede-se, para já, o assentar ideias e a estabilização dos ânimos durante as mini-férias de Natal. Já se percebeu que os adversários são muitos, e jogam dentro e fora do campo. Pede-se, portanto, a jogadores, treinadores e dirigentes a máxima concentração. Só assim podemos ganhar o campeonato. E se Janeiro trouxer reforços, pontos debéis evidentes na equipa, melhor.
Olhando para trás, e recordando que o Benfica era, dos candidatos ao título, o que partia em maior desvantagem – equipa e treinador novos, dificilmente poderíamos desejar melhor para o campeonato. Estamos à frente. Mas, não é demais recordar, barco ainda está longe de chegar a bom porto. Quique, ele próprio aprendendo a viver num clube da dimensão do Benfica, precisa melhorar aspectos fundamentais. Sobretudo na consistência de jogo, que tem que crescer muito, e na atitude ganhadora, “matadora”, que tem que durar os noventa minutos.
Mas, por agora, gozemos a liderança.
Força Benfica!
1 de Dez de 2008
Momento de verdade (mais um…)
Depois da tragédia de quinta-feira, 5-1 em casa do Olympiakos (a terceira maior derrota de sempre nas competições europeias), o Benfica tem daqui a poucas horas um enorme momento de verdade. Em caso de vitória caseira sobre o Vitória de Setúbal assume a liderança do campeonato. Desde a época do último título que o Benfica não saboreia o primeiro lugar da tabela. Nas épocas posteriores a Trapattoni, os encarnados tiveram oportunidade de lá chegar, mas falharam sempre. E após esses falhanços seguiram-se, invariavelmente, descalabros, o maior dos quais na época passada, com Chalana ao comando. Portanto, o jogo de hoje na sua aparente simplicidade (o Setúbal está longe de um bom campeonato) apresenta-se como (mais) um momento de verdade. O resultado na Grécia, e a falta de Nuno Gomes, Luisão e Aimar, aumentam um pouco a fasquia. Mas, seja como for, não há desculpas para falhar.
25 de Nov de 2008
Casa do vizinho #1
20 de Nov de 2008
Handyman
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