30/09/2005

Dicionário - Peseiro

Rapaz do acordeão que diz que tem crédito e se julga com força. ; sinónimo sem acordeão de Pedro Santana Lopes; Manuel Maria Carrilho; Bardo da Aldeia do Astérix; José Castelo Branco.; verbo Peseirar (dar estalada ou pontapé no rabo de) ex. Ou te portas bem ou peseiro-te essa linda carinha; adjectivo Peseiroso (parecer desligado da realidade que o cerca embora sabendo muito bem o que se passa) ex. Se ele tivesse um pingo de vergonha na cara, não era tão peseiroso

Ele que fique... mas ajudado

Terminando (por agora?) o ciclo de críticas a Koeman, arrisco uma sugestão para melhoria das prestações encarnadas:
Proponho que Koeman continue a treinar a equipa durante a semana e a escalar o onze inicial. No entanto, durante o jogo não será ele a comandar a equipa. Nesse posto é preciso alguém com uma leitura mais pragmática e raçuda dos acontecimentos. Alguém que não tenha problemas em aplicar soluções previsíveis, mas eficientes, e perceba quais os sinais que os intervenientes directos na disputa precisam receber. Por outras palavras, um homem prático e pouco dado a divagações. Uma pessoa como… Fernando Chalana.

29/09/2005

Manuel Fernandes, fora! Já!



Uma coisa é certa: Manuel Fernandes ainda não é jogador para ser titular no Benfica. Apesar de os dois últimos jogos lhe terem corrido melhor, a incrível quantidade de passes falhados continua. A culpa do segundo golo do Manchester vai direitinha para ele, com mais um passe falhado a meio-campo; um passe fácil e sem nenhum jogador a pressionar, que entregou a bola para o contra-ataque rápido dos ingleses. Foi Petit que in-extremis conseguiu safar a bola para o canto cuja marcação deu o golo do Manchester. Já não foi a primeira vez que uma azelhice do menino Manu, sempre rodeado de 'boa' imprensa, deu cabo do resultado. Este ano já tinha acontecido duas vezes. Desculpem, mas já era altura de dizer isto: Manu para o banco enquanto não se tornar jogador a sério. Cresça e apareça.

Man UTD vs SL Benfica

Posso começar por dizer que gostei do jogo, com cheirinho a noite europeia, e gostei da atitude e dinâmica da equipa.

Podíamos ter ganho, podíamos ter empatado, podíamos ter perdido, isto é estávamos a ver um jogo de futebol.

O Mister Koeman decidiu fazer duas alterações à equipa. Ricardo Rocha no lugar de Anderson, apesar do brasileiro estar a jogar melhor que o português, revelou-se uma aposta acertada. Depois Beto no lugar de um Geovanni vítima de Barrionuevo, uma mudança que se aceita pela lógica que levou a efectivá-la (apesar de haver outras razões lógicas que indicavam noutro sentido).

Mas se Ricardo Rocha jogou bem, já Beto jogou muito mal. Muito me espantou ver Beto, ao intervalo, no túnel de acesso ao relvado ainda com o equipamento vestido. Mais espantado fiquei ainda quando Beto se aguentou até aos 80 e tal minutos.

Nada tenho contra Beto, a não ser o cabelo, mas naquela noite não estava bem, estava inibido, e para defender o que ele defendia, mais valia ter lá o Geovanni.

Para mim as substituições versariam sobre o Beto, e sobre o refrescar da equipa, sem nunca alterar a estrutura da equipa.

Também é verdade que a equipa a partir do minuto 70 se encolheu, e as muitas perdas de bola a meio campo permitiram vagas sucessivas do ataque do Manchester.

Nas contas finais, vamos em 2º do grupo, e já efectuámos o jogo mais difícil dos 6. Creio que com a mesma atitude podemos pontuar no El Madrigal, e depois quem sabe, se o golo de Simão em Manchester não nos valerá o 1º lugar do grupo na última jornada? O mais importante, como sempre, é ganhar os jogos em casa, e isso sinceramente penso que está ao nosso alcance.

Um apontamento final, para o modo como a equipa dignificou a camisola e para o orgulho com que milhares de adeptos gritaram o nome do Benfica.

Ainda me lembro como se fosse ontem!

O jogo de terça-feira para a Liga dos Campeões, e o próprio desenrolar do jogo, trouxeram-me à memória o último jogo fora efectuado pelo Benfica para a Liga dos Campeões.

Foi em 9 de Dezembro de 1998, em Eindhoven contra o PSV.

Existem duas razões para eu lembrar-me bem deste jogo:

- O Benfica discutia a classificação para os quartos-de-final como 2º melhor 2º classificado com o Manchester United, que viria a ser campeão europeu nessa edição. O Benfica estava a fazer a sua parte, a vencer 2-1 fora com 2 golos de Nuno Gomes depois de estar a perder 1-0, e precisava que o Bayern (já apurado) vencesse em Old Trafford nessa noite. Tal não aconteceu e registou-se o empate a 1 na Inglaterra.

- A segunda razão para esta lembrança é o resultado do Benfica, e a irritação que me provocou. Vencendo por 2-1, e com a equipa descrente após as notícias de Old Trafford, o Benfica encolheu-se e acabou por sofrer o empate aos 89 minutos, saindo sem honra nem glória. Sabem quem marcou o 2-2? Esse mesmo, Ruud Van Nistelrooy.

Recordo-me de sentir uma grande frustração, sozinho no meu quarto em pé, gritando impropérios para o pequeno televisor.

Esse jogo é que foi frustrante, não o desta quarta-feira.

Ele até nem é mau...

Não me interpretem mal.
Não acho que a exibição contra o Manchester tenha sido má. Pelo contrário. Os ingleses não são uma equipa de arte média, são mesmo de arte superior, e só posso ficar satisfeito por ver o Benfica voltar a enfrentar de igual para igual os grandes da Europa. Basta lembrar as fragilidades dos encarnados na Taça EUFA do ano passado para ficar satisfeito.
Também não quero “crucificar” Koeman. Considero o holandês o principal responsável pela metamorfose atacante que está acontecer na equipa. É certo que tem jogadores com que Trappatoni apenas podia sonhar. Mas, seja como for, a realidade é indiscutível: o Benfica tem uma alegria na procura do golo que estava esquecida desde o tempo de Camacho.
Também não discordo, de uma maneira geral, das escolha para a equipa. Depois de algumas experiências fracassadas, Koeman mostrou que sabe aprender com os erros. Talvez seja mesmo essa a sua grande virtude (e a grande esperança dos adeptos..)
A minha critica vai sobretudo para a forma como Koeman mexe na equipa durante os jogos. Para as opções que toma. Para os sinais que envia para dentro do campo. Aquela substituição de Miccoli por João Pereira a dez minutos do fim foi calamitosa. O italiano estava a começar a mostrar serviço, porque, com a subida do Manchester no terreno, tinha finalmente espaço para jogar. Beto não tinha acertado uma jogada durante oitenta minutos e assim continuou até ao fim. João Pereira, como era de esperar, não acrescentou nada ao jogo. Claro que se empate tivesse subsistido a “gaffe” teria passado. Mas o golo inglês acabou mesmo por chegar e Koeman tornou-se numa das faces da derrota. Por duas razões. Pela má gestão do plantel durante o jogo e pela pouca ambição demonstrada, sobretudo para dentro de campo, quando tirou o avançado italiano.

28/09/2005

M U 2 - SLB 1 - O Homem Cerelac ataca de novo


Não acho que Koeman tenha tido culpa na derrota do Benfica ontem em Old Trafford.
Acho que o Koeman teve culpa em o Benfica não ter querido ganhar o jogo.
O Beto jogou mal e devia ter saído ao intervalo ou um pouco depois da segunda parte ter começado.
Preocupa-me a aparente falta de ambição de Koeman. Os jogadores que constituem o plantel mereciam alguém mais ousado. Mas também é verdade que passar de Trapp para, digamos, um gajo ao estilo do Adrianeense, ofensivo e tal, seria como dar uma feijoada a um tipo que não come há uma semana. A terapia holandesa koemaniana, apesar de tudo, poderá ser a correcta em termos de transição. Uma espécie de Cerelac, no fundo. E, vendo bem as coisas, o Koeman, com aquela carinha, tem pinta de quem, na infância, deve ter feito anúncios do estilo.

Messager

Diálogo no MSN. Tudo o que precisa ser dito sobre o Manchester United - Benfica de ontem, em poucas linhas:

Paulo diz:
Gabriel...
Gabriel diz:
Jovem Paulo...
Gabriel diz:
Koeman para a Sibéria?
Paulo diz:
não
Paulo diz:
deixa-o estar que ele na siberia não aprende nada
Gabriel diz:
:)

27/09/2005

Antevisão M.United - SLB


Estes jogos são os melhores porque são raros. Não há qualquer esperança de ganhar. Qualquer golo, remate, aproximação da área inglesa ou finta, serão recebidos no meu sofá, entre um cigarro descontraído e uma fatia de pizza, com o entusiasmo de uma vitória.
Hoje serei português até à medula: vou considerar a minha equipa inferior logo desde o apito inicial e ficarei contente se não perdermos por mais de dois a zero. (espero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldo espero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldoespero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldo espero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldoespero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldo espero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldoespero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldo espero que ele não ponha o Ricardo Rocha a marcar o Cristiano Ronaldo)

Man UTD vs SL Benfica - 2ª jornada da Liga dos Campeões



Noite europeia.

Hoje é dia de jogo grande. O Benfica apresenta-se em Old Trafford, com a vontade de vencer, e a confiança que as últimas vitórias lhe emprestam.

O jogo de hoje não é de forma alguma determinante para o futuro do Benfica na competição. Depois de hoje, ainda teremos mais quatro jogos, dois deles em casa. Mas a verdade é que um resultado positivo em Manchester, e por arrasto uma boa campanha europeia, podem funcionar como elementos extremamente motivadores para a campanha interna.

De qualquer forma, o jogo de hoje é para desfrutar, para estes jogadores darem mais um passo no seu processo de aprendizagem do que deve ser um jogador do Benfica: jogar nestes palcos com a mesma naturalidade com que se joga na Nova Catedral.

Estou a gostar do discurso da equipa. Um discurso de confiança mas nada arrogante. O Benfica não vai lá para mostrar que é melhor que os outros, o Benfica vai lá para ganhar porque acha que tem direito de pensar assim. Falta agora apresentar em campo a mesma confiança.

Para mim, o Benfica deve entrar forte, atacar desde o início, não ter medo. Vai ser muito difícil, mas acredito que o Benfica pode alcançar um resultado positivo, e assim perceber que pode tentar lutar em todos os campos.

A derrota só será encarada como vergonha, se a equipa não mostrar em campo a mesma convicção que apresentou contra Leiria e na 1ªparte em Penafiel.

26/09/2005

Na direcção certa

Tal como pedimos o Benfica actuou com firmeza e autoridade em Penafiel. Ainda bem. O caminho ascendente prossegue. Com os pés bem assentes no chão (ou seja, percebendo que ainda há fragilidades e o melhor está para vir), os encarnados devem manter a mesma determinação para os dois testes da semana: Manchester e Guimarães.

23/09/2005

Previsão Penafiel - SLB 23-09-2005


Abdico de apresentar a minha proposta de onze inicial. É redundante. Vão ser os mesmos de domingo. Não há muito a dizer deste jogo a não ser que vamos esmagar o Penafiel, ganhando, pelo menos, por 3 a 0. A minha única dúvida é sobre quem marcará os golos. Por causa da liga record, ía bem dois do Miccoli. um do Nélson e o outro do Anderson. Espera aí, mas isso já faz 4. Seja, o Benfica vai ganhar por 4 a 0. Mas gostava ainda que o Manuel Fernandes marcasse um, para dar confiança que ele tem parecido triste. Pronto, fica assim, o Benfica ganha 5 a 0 e não se fala mais disso. Como o Porto vai perder às mãos de Zé Pedro, Silas e Meyong, e o Sportém só com muita sorte conseguirá sair com um pontinho da jornada, esta vai ser um excelente fim-de-semana desportivo (com participação na mini maratona da Vasco da Gama e tudo). Fica só a faltar mais um pontinho ou dois do Tiago Monteiro.
Podem-me achar de um optimismo estúpido, mas deixem lá isso.

22/09/2005

Rescaldo

Uma boa vitória. A 1ª na Liga finalmente.

O Benfica a jogar numa espécie de 4x4x2, lá conseguiu impor o seu jogo, e levar de vencida facilmente, uma equipa da União de Leiria que não apresentou armas para contrapor o domínio encarnado.

O único lance de perigo da União veio do sector que eu assinalei como mais perigoso na antevisão do jogo, uma combinação entre Alhandra e Anderson.

O Benfica jogou bem, e todos os sectores funcionaram. Uns melhor, outros pior.
Na realidade o único apontamento a fazer à exibição é exactamente o meio campo. Manuel Fernandes, apesar de uma boa 2ª parte, precisa de descansar para melhorar o seu jogo. Petit também precisa de algum descanso de quando em vez. Mas a principal mesmo, é que a taxa de passes errados vá baixando jogo a jogo. Com a concorrência de Karyaka e Karagounis, é de esperar que o nível melhor, e o próprio nível de Manuel Fernandes e Petit melhore.

Importante também a atitude e agressividade que jogadores como Nelson e Leo estão a empregar, ajudando assim o meio campo na transição.

Com as vitórias vem a confiança, e com a confiança a tranquilidade, e um jogador tranquilo consegue concentra-se e explanar melhor o seu futebol.

Uma nota muito positiva para Nuno Gomes, pelo excelente hat-trick e pela excelente exibição. Que continue motivado até Old Trafford.

Sem clemência

Há quatro meses e meio, no dia 7 de Maio, o Benfica perdia em Penafiel e esbanjava em definitivo a tranquila diferença pontual com que entrara no último quarto do campeonato. Tropeços em Vila do Conde e na Luz, com o União de Leiria, tinham já permitido a aproximação dos rivais de sempre. Agora a situação poderia ficar ainda mais complicada. O Porto levantou-nos um pouco a moral no dia seguinte, com um empate em Moreira de Cónegos, mas o Sporting não renegou a oportunidade. Venceu tangencialmente o Guimarães, em Alvalade, e passou os encarnados na tabela, ainda que com o mesmo número de pontos. Faltavam duas jornadas para o fim. O Benfica jogara mal (a falta de Luisão, Manuel Fernandes e Nuno Gomes explicava muita coisa mas não tudo), os sportinguistas andavam eufóricos e os portistas à espreita da desgraça alheia, e o próximo passo era a recepção aos lagartos. Hoje sabemos que a cabeça de Luisão, com a ajuda de Ricardo, pôs as coisas no seu devido lugar. O Benfica foi mesmo campeão e a festa adiada durante dez anos aconteceu. Mas nesse fim de noite do dia 7 de Maio, e na semana seguinte, apreensão era grande e muitos repetiam, desiludidos, “ainda não é desta…”
Recordo aqui este pedaço da história recente porque os encarnados jogam este fim-de-semana no Estádio 25 de Abril. Para além de amealhar os essenciais três pontos da vitória, os campeões nacionais têm uma tarefa obrigatória a cumprir. Desforrar a dolorosa derrota da época passada. E isso passa por uma exibição autoritária, dominadora, com bons momentos de futebol, e pelo menos três golos marcados. Uma exibição sem clemência. Que cure os traumas e ponha “cada macaco no seu galho”.

21/09/2005

O Oriente Misterioso Visto da Bancada Sapo


Há quem diga que o russo se perdeu um dia destes em Lisboa e não conseguiu dar com o caminho de volta. O último rumor dava conta de ter sido visto a tentar perguntar algo a uns tipos de leste ali no Martim Moniz. O homem tem cara de vítima. Aquele olhar não engana. Mas quem sabe se o caso de Karyaka é outro bem mais sinistro? Quem sabe se não foi assassinado por algum dirigente e o Benfica anda a tentar encobrir com não convocações sucessivas a sua morte? Ou talvez tenha contraído a gripe das aves e o SLB o tenha retido numa das caves mais escuras, e com as paredes de betão mais espessas, do Estádio da Luz onde é alvo de testes atrás de testes, em tentativas de encontrar uma vacina contra o possível flagelo que se pode estar a aproximar da humanidade, de modo a fazer um bom dinheiro com a patente para conseguir pagar as dívidas e ir buscar, finalmente, um homem de área a sério?
O mistério russo era o assunto mais comentado no passado domingo nas bancadas do Estádio da Luz. Ao verem a pobre prestação de Manuel Fernandes, na primeira parte, e de Petit, as vozes interrogavam-se a cada lance perdido, a cada passe mal feito, a cada bola a que estes dois não chegavam." E o Karyaka? E o Karyaka? "
O russo, quando chegou na pré-época , prometeu muito. Talvez por estar em forma e com ritmo competitivo, é certo, em contraponto aos restantes jogadores que só então começavam a preparação. Aos poucos foi deixando de entrar em campo para, nestes dois últimos jogos, nem sequer ter sido convocado.
A classe de Karyaka parece-me evidente:boa técnica, boa visão de jogo e dois magníficos pés. A defender, realmente, pareceu-me mais fraco. Mas não entendi ainda porque não é opção ou sequer a que lugar concorre no onze. A médio-centro? A nº10? A médio direito? Custa ao adepto cheirar qualidade e não ver um jogador em campo ou, pelo menos, no banco. Acerca de Karyaka, pelo menos na bancada Sapo, comentava-se a aparente injustiça que a falta de confiança no russo parece representar. O mistério adensa-se. Precisamos de pistas.

19/09/2005

Nem 8 nem 80

Depois da vitória folgada do fim-de-semana, a atitude mais sensata é a contenção. Não deixar que o lado mais irracional da condição de adepto se imponha e perceber que ainda estamos mais perto do oito do que dos oitenta. Isto não quer dizer que o futebol do Benfica não tenha melhorado. É óbvio que melhorou. Mas o cuidado de não deixar que as fragilidades demonstradas se escondam atrás dos quatro golos torna-se necessário. O Benfica prepara-se para ter a melhor linha defensiva da Liga. Leo e Nelson são valores seguros que podem estender às alas a qualidade de Luisão e Anderson. Na frente Miccoli e Nuno Gomes formam já uma dupla atacante de qualidade. Mas, por outro lado, o meio-campo e, sobretudo, Geovanni tardam em atingir um bom nível exibicional. Agora, é certo, não faltam as alternativas. Koeman terá que gerir o plantel de maneira a “picar” os craques fora de forma e a encontrar soluções eficientes dentro das novas aquisições. Se cumprir a contento essa tarefa então sim, o Benfica entrará em definitivo na rota das vitórias. Por enquanto, fico-me pela constatação cautelosa de que a equipa joga melhor mas as "tremideiras" ainda por lá andam.

17/09/2005

Antevisão da 4ªjornada - Benfica vs U. Leiria

Agora vai começar a encarreirar.

Depois de na quarta-feira ter vencido o primeiro jogo da Liga dos Campeões, o Benfica precisa de começar outra empresa. A de ganhar amanhã ao Leiria, e depois ir ganhar a Penafiel. Ganhar confiança vencendo, pois a seguir a estes jogos, iremos a Old Trafford.

Para o jogo de amanhã, o que se espera é a manutenção do 4x4x2 que apresenta algum potencial, retirando somente Ricardo Rocha e introduzindo Anderson. Com a lesão de Karagounis não haverá dúvidas quanto à dupla do meio campo.

Do Leiria será de esperar uma toada de contra ataque, com um meio campo povoado, mas principalmente com as alas bem povoadas defensivamente. A verdade é que o nível de perigosidade do Leiria está consideravelmente baixo, devido a alguma ausência de confiança no seio da equipa. Teremos de ter atenção no entanto, às movimentações de Maciel, algumas subidas de Éder no lado direito e às boas combinações entre Alhandra e Anderson no lado esquerdo.

O Benfica tem por missão aproveitar a lentidão dos centrais do Leiria, e o pouco discernimento táctico aliado a alguma falta de agilidade da dupla do meio campo Kata / Paulo Gomes.

O Benfica tem de vencer, e creio que Miccoli vai marcar um golo.

Koeman, volto a dizer, lembra-te do Karyaka. Pelo menos para o banco. Gostava de ver o russo entrar para o lugar de Simão na 2ª parte, e Carlitos para o lugar de Geovanni.

E onde anda Nuno Assis?

16/09/2005

O que faltava

Afinal, quem tinha razão era o Camacho quando dizia que o Benfica deveria empenhar-se em contratar uma grande estrela. Na altura referia-se a Ronaldinho Gaúcho e frisou que o número de camisolas e gente no estádio da Luz facilmente cobriria o valor do investimento, além dos valores da futura venda.
Os benfiquistas há anos que esperam uma estrela. Simão é bom, mas é português e ninguém é profeta em Portugal sem provar algo lá fora primeiro. Sempre suspeitei que o Estádio facilmente se encheria se houvesse um, bastava um, jogador que fizesse maravilhas.
Pela primeira vez em muitos anos o Benfica parece ter encontrado alguém com essas características. Miccoli surge na equipa do Benfica com a aparente capacidade de preencher esse lugar vago nas expectativas dos adeptos. Em tempos pensei em Roger, mas nunca chegou a ser e a fazer o que dele se esperava. Pode ser que com o italiano o Estádio volte a viver o entusiasmo de antes, do antigo.

15/09/2005

Assim está bem

Um golo no último minuto - acreditaram até ao fim. Um jogador que puxa pelos companheiros e pelas bancadas. Uma equipa que reencontra, aliviada, o modelo de jogo de onde nunca devia ter saído. Um treinador que, aparentemente, começa a pereceber a realidade que o cerca. Assim sim, estamos no bom caminho.

14/09/2005

Liga dos Campeões - Grupo D - 1ªJornada


Luisão, orientas o pessoal hoje?


É hoje o grande dia. É hoje o retorno do Benfica ao lugar que historicamente lhe está reservado.
Que os jogadores possam sentir isto mesmo nas camisolas ao entrarem para o campo hoje.

Koeman hoje parece optar por um simples 4x4x2, o sistema aliás que eu tinha indicado para o jogo contra o Sporting.

Que a equipa entre bem, e que a vitória sobre o Lille seja o princípio de um percurso bonito.

Os franceses, são uma boa equipa. Formam essencialmente um bom colectivo, mas com muita inexperiência nestes palcos. Um factor a aproveitar é o extremo respeito que os franceses apresentam contra o Benfica. Devemos capitalizar esse respeito.

Portanto os elementos mais atacantes do Benfica serão Simão, Geovanni, Miccoli e Nuno Gomes. Estou ansioso para ver o potencial da dupla Miccoli Nuno Gomes. Na defesa parece que Leo irá jogar. No centro a minha escolha seria Luisão/Anderson. No meio campo, continuam as dúvidas. Ao contrário da época passada as opções este ano são muitas e de qualidade. Por mim talvez apostasse no princípio em Petit e Manuel Fernandes, mas Karyaka a mim também não me parece mal.

Curiosidade também para ver como o jovem Nelson se porta, e tentar estabelecer alguma comparação com Miguel.

Que seja um bom jogo, e que esta seja a primeira de muitas vitórias.

Por uma orelha, prometo!

Hoje à noite vou estar na Luz. Espero um 4-4-2 simples com Quim, Leo, Anderson, Luisão, Nelson, Karagounis, Petit, Simão, Geovanni, Miccoli e Nuno Gomes. Se o Holandês-Que-Faz-Perder-A-PAciência-a-Um Santo se meter com invenções, prometo já aqui que serei este gajo aqui em cima. Vou entrar em campo, correr para o banco e levá-lo por uma orelha ao aeroporto. Na mala grande meto o Veiga e na bagagem de mão meto o Carlitos. Enfio-os a todos num avião qualquer de um voo intercontinental e, depois, dou ainda um saltinho a França para ir buscar o Le Guen. Se ele já estiver a dormir, passo por Espanha para ir buscar o Homem-Dos-Sovacos-Suados. Se este estiver com uma das suas crises, com um olhito a piscar ao Real Madrid, volto ainda antes do jogo acabar e ponho o Chalana à frente da equipa. Não acreditam? Não subestimem um benfiquista desesperado. Nós somos como aquelas mães que, para salvar um filho, são capazes de levantar um automóvel para o tirar lá debaixo...

13/09/2005

Amanhã começa a definição

Sejamos claros. Se Carlitos tem levado muita “pancada” é porque surge como o rosto, o ícone (um Che Guevara sem boina e sem barba), do Benfica de Koeman. Insegurança, trapalhice e opções disparatadas marcam as exibições do ex-estorilista da mesma forma que sobressaem do comando do holandês. Mas se Carlitos é um caso perdido – teve já demasiadas oportunidades que desperdiçou, Koeman beneficia ainda de algum espaço de manobra – que se reduz a um ritmo vertiginoso tal a frequência dos disparates. A questão reside neste momento em saber se o que parecia, aos olhos mais construtivos, flexibilidade e pragmatismo é isso mesmo ou não passa de pura e simples insegurança e inaptidão. Ao holandês restam dois ou três jogos para responder à questão. Mas, atenção, não falo de resultados. Refiro-me à definição de um modelo de jogo, a escolhas que transmitam confiança e segurança aos jogadores e ao aproveitamento do “estofo” de campeões que ainda está bem vivo na maioria do elementos da equipa. Já não há mais oportunidade para falhar. A primeira parte da “prova de fogo” começa amanhã, com o Lille.

12/09/2005

Análise ao Sporting vs Benfica

Uma derrota má, que nos põe a 8 pontos de Braga, Porto e Sporting.

Penso que não há muito a dizer sobre o jogo, depois de toda a opinião emitida, e principalmente depois do jogo que vimos. Mas aqui vai.

Koeman: amigo, define-te se faz favor. O tempo passa e efectivamente não volta para trás. Se vês que ainda não dá para aplicar as tuas ideias, estabiliza a equipa utilizando as ideias que já cá estavam. Alguma dúvida? Faz como Nelson: pergunta ao Luisão.

Com aquela táctica de 3 centrais o Benfica foi irrepreensível a defender, mas completamente nulo a atacar. Portanto, isto não serve.

No início da 2ªparte, Koeman já utilizou o 4x4x2 (o que revela algum juízo) e aí pensei que íamos dar a volta. A equipa jogava mais rápida e errava menos passes. Isto, até à expulsão de Ricardo Rocha que de tão recorrente neste tipo de jogos nem será preciso aqui ilustrar como se passou.

Com menos um, o Benfica empata, e depois sofre o sufoco do Sporting, até ao golo de Liedson, que definiria o marcador.

Depois, nos últimos 15 minutos deu-se algo interessante. Os jogadores do Benfica mostraram-se dignos, e apesar da inferioridade numérica, pressionaram o Sporting e quase iam conseguindo o prémio.

É por causa deste grupo de jogadores, que eu acredito que o Benfica vai ser campeão, e vai lutar até onde puder pela vitória nas competições.

E é verdade, Koeman lembra-te do Karyaka. E utiliza um 4x4x2 ou 4x2x3x1 por agora. Talvez lá pra frente, em Março na liga dos campeões (se ainda lá estivermos) a táctica dos 3 centrais seja útil. Com o tempo pode ser que funcione, mas não experimentes em competição, não ponhas a carroça à frente dos bois.

Com tudo isto ninguém reparou que no meio de invenções tácticas a meter pés pelas mãos, Carlitos de início e jogar com menos um, o Benfica correu um risco real de empatar o jogo.

Sportém 2 - Benfica 1



A perplexidade deixou-me em choque. Ainda não recuperei. Estou num estado catatónico em que digo ao lagartos que surgem vindos do nada, de sorrisinho no canto da boca, com anedotas sobre uma inauguração de uma nova auto-estrada pela Brisa, com uma ligação da A8 à 2ª Circular; ou com referências a muitas variantes de piadas com águias e galinhas; ou entoando uma nova versão do cântico ‘ninguém pára o Benfica’ mas com ‘ampara’ em vez do ‘pára’.
Eu sorrio, como imbecil, como um indigente a quem falam de impostos por pagar, e só sou capaz de dizer ‘o Koeman não é treinador’ quando o que eu quero dizer é ‘JÁ VISTE A MINHA DESGRAÇA? GASTEI UMA PIPA DE MASSA A COMPRAR UM CATIVO PARA VER UMA EQUIPA QUE TEM O CARLITOS NO ONZE INICIAL!', assim, gritado, e com uma lágrima no canto de olho dos nervos que me fazem tremer a mão enquanto acendo mais um cigarro para conseguir enfrentar mais um período de gozação. Felizmente, há o Xanax e a garrafita de Whisky lá em casa, conforto de tantas horas de um benfiquismo tão sofrido.
Apesar do choque, de que só agora estou a conseguir sair a custo, dentro desta nebulosidade em que os meus sentidos se encontram, consigo perceber que o Koeman não percebe, que o Carlitos não percebe, que o Rocha não percebe, que Deus não deve perceber, porque senão não nos deixava nesta situação: 8 pontos, caraças! 8 PONTOS!!! Qual Katrina, qual carapuça! NÓS JOGÀMOS COM O SPORTING COM O CARLITOS A INICIAL! Isto quer dizer tanto do tão pouco que se pode esperar do onze do Benfica
Quanto a Ricardo Rocha, o praticante incapaz e frustrado de Jiu Jitsu, lá voltou a fazer das suas. Nada a dizer. Não se pode culpar o rapaz por ser um anormal sem um pingo de auto-controlo.
Bom, mas sempre houve um bocadinho de futebol, com o 4-4-2 do inicio da 2ª parte. E não consigo falar mais sobre isto.

Nunca mais!

Carlitos de início contra o Sporting é apenas mais um degrau no mistério maior da era Veiga/Vieira (aqui). Não há, óbviamente, palavras. O que sobram são teorias explicativais, qual delas a mais conspirativa.
Eu, que jogo pouco menos que o Carlitos, também gostava de um dia poder contar aos meus netos que tinha sido titular contra o Sporting. O Carlitos tem essa sorte (ou o que lhe quiserem chamar....), ainda bem para ele. Mas agora chega. Basta! Ele que arranje um trabalho honesto e digno e aguarde os netos de olhos brilhantes longe do plantel principal do Benfica.

09/09/2005

Antevisão da 3ª jornada - Sporting vs Benfica




Esta é a equipa que eu proponho ao Koeman, para ir ganhar à casa dos lagartos.

Contra o Sporting deve jogar sempre o João Pereira. A mera possibilidade de ver o míudo Pereira marcar um golo ao Sporting, por si só justifica a sua titularidade.

O Léo, nos poucos jogos que o vi fazer, parece-me um jogador pequenino e muito mexido, o que é excelente para lidar tanto com Douala, como para chatear o Sá Pinto. Para além disso sabemos que o Sporting pouco utiliza o jogo aéreo.

O Anderson porque vai marcar um golo.

No meio campo a parte mais difícil. Por um lado, se Karagounis actuasse já, colocaria o grego no lugar do russo. Mas gosto da classe que Karyaka pode trazer ao futebol do Benfica, e por isso vai estrear-se em derbys já amanhã. Manuel Fernandes, porque tem a garra necessária para este tipo de jogos.

Lá na frente Nuno Gomes e o pequeno Fabrizio prometem uma dupla que se pode revelar de ouro. Mas mais importante, perante as várias alterações da defensiva sportinguista, jogadores rápidos como Simão, Geovanni e Miccoli apoiados por um “first touch” Nuno Gomes, podem dar resultados muito satisfatórios.

Mas lá está, Koeman pode surpreender e avacalhar o esquema todo.

Esperemos festejar a primeira vitória na Liga, no Complexo comercial Alvalàxia.

Benfica vai vencer no mínimo por 1-0, pois um golo de Anderson está garantido. Os restantes ficam ao critério do pequeno Fabrizio.

Antevisão - Sportém - SLB 10-09-2005


Amanhã, em Alvalade, o Benfica vai cilindrar o Sportém, como convém. Não me consigo deligar do 4-4-2. As dúvidas são Quim ou Moreira, João Pereira ou Nélson, Leo ou Ricardo Rocha, Karyaka ou Manuel Fernandes, Miccoli ou Nuno Assis. Ou não. Tanto faz, não interessa. Com Koeman nunca se sabe. 4-3-3 ou 3-4-3 também são hipóteses. Vai dar um grande gozo ver Peseiro com a cabeça no cepo, o Sá Pinto de cabeça perdida quando for substituído pelo João Alves, a desatenção fatal de Polga a colocar a bola nos pés de Miccoli e Tello, completamente perdido com as movimentações de Simão e Geovanni, pedindo a substituição, a custo concedida por Peseiro, com a entrada de Miguel Garcia que cometerá um penalty aos 85 minutos, que será convertido por Nuno Gomes, e que fechará a contagem em SCP 0- SLB 3.

08/09/2005

Fenómeno global

O Scot, recém-regressado à América natal, conta isto. É caso para dizer que um jornalista desportivo será sempre um jornalista desportivo, independentemente da nacionalidade e do desporto envolvido. Se calhar pensavam que os Gabriéis Alves e os Luíses Baila só existiam por estas bandas...

07/09/2005

Uma como a do elefante

A memória pode ser, por quem a souber usar, um ferramenta utilíssima. Por isso posts como o anterior, do Paulo, fazem muita falta. Quando as coisas não correm de feição, como neste início de época, vale a pena recordar como, há bem pouco tempo, atravessávemos o deserto. Voltar atrás é terrivelmente fácil. Haja paciência e sabedoria para não o fazer.

Ainda me lembro como se fosse ontem!




É verdade, voltemos 3 anos atrás e estes senhores, acompanhados por Ricardo Rocha, completavam o nosso quarteto de centrais.

Quanta segurança nos ofereciam estes jogadores, todos eles capitães a determinada altura. A velocidade de Hélder, a subtileza e trato de bola de João Manuel Pinto, e a inteligência e clarividência de Argel no ajuizar dos lances.

Mas tal como a vida no mundo natural encontra sempre um elemento de sobrevivência, também a acção de defender no plantel do Benfica 2002/03 encontrou em Ricardo Rocha o seu elemento de sobrevivência.

Agora temos Luisão, Ricardo Rocha, Anderson e Alcides.

Fica aqui o registo dos últimos quartetos de centrais do Benfica.

defesas centrais do Benfica em 2005/06

Ricardo Rocha,
Luisão,
Alcides,
Anderson

defesas centrais do Benfica em 2004/05

Argel,
Ricardo Rocha,
Luisão,
Amoreirinha,
Alcides

defesas centrais do benfica em 2003/04

Hélder,
Argel,
Ricardo Rocha,
Luisão

defesas centrais do Benfica em 2002/03

Hélder,
Argel,
João Manuel Pinto,
Ricardo Rocha


defesas centrais do Benfica em 2001/02

Argel,
Julio César,
João Manuel Pinto,
Marco Caneira.

06/09/2005

O Sportém...até se me parte o coração...

Oh, que pena! Coitado do Beto, não vai poder jogar contra o Benfica...tenho as lágrimas nos olhos...e aquele rapaz novo...ai, como é que ele se chama...o Semedo, é isso, o Semedo! Até se me parte o coração...tão novo e já indisponível para o derby! Mas pronto, ainda têm o Tonel...o que é preciso é não esmorecer...se o Tello jogar, pode-lhe dar uma ajuda.

05/09/2005

Que a pancada seja grande.

Depois de Miguel, surge agora Maniche com o propósito, por enquanto apenas anunciado, de não cumprir de um contrato assinado de livre e espontânea vontade. Está triste, não gosta nem do país nem do campeonato, e, por isso, quer rasgar o acordo firmado, a troco de muitos milhões, com o Dínamo de Moscovo.
É o Portugal dos pequeninos, da menoridade cívica, que se mostra ao mundo. Homens adultos e responsáveis (?) tentado quebrar, sem as respectivas consequências, compromissos assumidos. Sem o menor pingo de vergonha na cara e ainda querendo para si o papel de vítimas.
Que Luís Filipe Vieira cobre, sem perdoar um cêntimo sequer, os dois milhões devidos que afirma Miguel ao Benfica.
Que Maniche pague também bem caro a sua falta de palavra.
Sim, porque o desporto, o futebol, ainda pode ser uma escola de virtudes.

02/09/2005

O Reino Benfica


Nos confins do Continente Futebol existe um reino feudal chamado Benfica. Terra muito antiga e de lendas infindas, com heróis extraordinários como Coluna, Eusébio, Rui Costa, Nené, outrora glorioso e temido por todos os reinos desse mundo estranho e inquieto, definha por estes anos numa apatia estranha, amaldiçoado por dois feiticeiros negros terríveis chamados Manuel Damásio e Vale Azevedo, perdendo batalhas atrás de batalhas, cuja alma e espírito parecem feridos de morte, afundado numa melancolia revivalista de glórias passadas e sonhos de grandeza impossíveis de concretizar.
Como qualquer reino que se preze, a sua estrutura social, a que no continente Futebol se chama Plantel, está organizada em vários patamares de poder e importância.
A Plebe, massa informe cujos indivíduos quase não têm nome por terem tão pouca importância, por não terem valor algum, é constituída por homens que eram da Burguesia e caíram em desgraça, ou que pura e simplesmente nasceram nessa classe desfavorecida e nunca tiveram uma hipótese de lá sair. São eles Alcides, Mantorras, Bruno Aguiar, Nuno Assis, Karyaka, Hélio Roque e Tiago Gomes.
A Burguesia, sem poder que rivalize com as classes dominantes, é constituída por indivíduos de valor, que surgem a espaços na luta pela glória do Reino, mas cujos feitos são menosprezados, quando não ignorados, pelos cronistas. Neste estrato social pode-se achar gente de provas dadas de valor e lealdade, homens que sempre cumpriram, mas que, por uma razão ou outra que não se percebe, foram postos de lado e nunca serão considerados primeiras escolhas. Estes são os primeiros a ser esquecidos quando há mérito a ser atribuído e os primeiros a ser responsabilizados quando há culpas a atribuir. São os mal-amados Quim, João Pereira, Dos Santos, Ricardo Rocha e Geovanni.
Os Cavaleiros têm muito poder. É-lhes dado todo o crédito para provarem o que valem, sem qualquer tipo de reserva. Mas é um poder que pode ser transitório porque depende muito do que os cronistas disserem acerca dos seus desempenhos no campo de batalha. É fácil um deles tornar-se uma carta fora. Mas, em oposição, podem ascender a ser um dos da Nobreza, bastando para isso que os cronistas os louvem. São eles Anderson, Miccoli, Karagounis, Leo, Nélson e Beto.
A Nobreza, intocável faça o que fizer, sempre favorecida pelos cronistas, que ninguém põe em causa, mesmo que demonstrem ser imprestáveis no campo de batalha, vivendo dos privilégios adquiridos e de lendas antigas, cuja veracidade é impossível de verificar, são Moreira, Nuno Gomes, Petit, Manuel Fernandes e Luisão.
Por fim, no topo do Benfica, o Rei. Simão Sabrosa, sucessor de João Vieira Pinto. Homem divinizado a quem tudo se desculpa, é um Rei Sol acima de tudo e de todos, cujas fracas exibições como guerreiro são apagadas da memória colectiva do povo pela total submissão dos cronistas. As suas façanhas no campo de batalha são lendárias.
Não se pode deixar de fazer referência ao bobo da corte, Carlitos, um ser pequeno e engraçado, cuja especialidade é fazer todos rir com quedas e parvoíces várias com uma bola que parece fugir-lhe constantemente dos pés. Também ao feiticeiro, e respectivo aprendiz, Luís Filipe Vieira e José Veiga. E, por último, ao intocável, aquele que detém, mais poder a seguir a Simão, o Bispo Koeman.
Há ecos longínquos que anunciam um novo período de glória para o Reino do Benfica. As batalhas aproximam-se. Será que é desta que o reino recuperará as glórias passadas?

O Enigma da Águia - parte II - A resposta

(continuação)

Quanto a Carlitos, e ao mistério da sua permanência no Benfica, sugerem-se, basicamente, três explicações.
A primeira defende que Carlitos é sobrinho do vice-presidente da secção de Badminton, pessoa de perfil discreto, mas que no princípio da vida empresarial de Luís Filipe Vieira, e num momento crítico, de tudo ou nada, lhe emprestou duzentos contos. Quando a vida melhorou, e Vieira quis restituir o dinheiro, o actual vice-presidente do Badminton encarnado não quis aceitar. Um dia falariam do assunto, disse. E esse dia chegou com Luís Filipe Vieira na presidência do Benfica. Só que em vez do dinheiro o “amigo” pediu um cargo directivo para ele, um lugar onde não fizesse nada mas pudesse aparecer nas fotografias, e um lugar para o sobrinho, que na altura era jogador do futebol sénior do Estoril. Vieira acedeu. Como homem honrado, sabia que aqueles duzentos contos tinham sido essências para os milhões de euros que hoje administra. E é por essa razão, e enquanto a voz da consciência se fizer ouvir, que tanto o lugar na secção de Badminton como a presença de Carlitos na equipa principal do Benfica não sofrerão alteração.
Outra teoria, mais cínica, diz que Carlitos é um infiltrado de José Veiga no plantel encarnado. Com duas funções: “bufo” e animador social. Tratar-se-ia, portanto, de uma das peças-chave para a “blindagem” e união do balneário, que tem sido uma das coroas de glória do ex-empresário. Assim, e caso continue a desempenhar bem o seu papel, Carlitos só sairá quando Veiga sair.
A terceira hipótese, e, na minha opinião, a mais plausível, mistura Carlitos com o ocultismo. Segundo parece, a decisão de contratar o jogador teve o aval da taróloga particular de Luís Filipe Vieira, Lisete, que deitou as cartas e garantiu um futuro brilhante ao rapaz. Só não desvendou quando isso aconteceria (o problema, segundo explicou a Vieira, é que uma das cartas estava suja com doce de tomate, outra das especialidades de Lisete, e colou-se ao dedo, não garantindo assim a total transparência da consulta). Luís Filipe Vieira aguarda, portanto, o cumprimento da profecia. Caso ela não se concretize a curto prazo, não será seguramente apenas Carlitos a perder o emprego…

01/09/2005

A EQUIPA IDEAL - 4-4-2 (claro!)

Enigmas da Águia - parte I - A pergunta

Se o Benfica 2005/2006 fosse uma livraria, a secção “Grandes Mistérios da Humanidade”, com livros sobre o Triângulo das Bermudas, o desaparecimento da Atlântida, os desenhos nos campos de trigo da Grã-Bretanha, ficaria totalmente por conta do Carlitos. Na verdade não é compreensível, pelo menos dentro das três dimensões em que se costuma gerir um plantel de futebol, o que se passa com este jogador.
Todos afirmam que é um craque em potência, que o futuro lhe pertence (ainda ontem, numa rápida leitura nas prateleiras do hipermercado, descobri esta afirmação no último livro de Simão), que faz excelentes exibições nos treinos, mas depois chega aos jogos e… nada. Literalmente nada. Passa a maior parte dos escassos minutos em campo no chão, tropeça na bola, tropeça nele próprio, não arranca uma finta de jeito, os centros saem para a bancada… Enfim, uma lástima.
No começo de cada época, e depois de Carlitos esbanjar mais uma mão cheia de oportunidades dadas pelo treinador, o empréstimo torna-se iminente. Mas no último momento lá fica ele no plantel encarnado, como que abrigado numa espécie de fésada dos dirigentes:
- Este ano é que é…
Não se compreende. Tanto quanto nos lembramos, nenhum jogador com demonstrações de talento equivalentes teve um décimo das oportunidades de que Carlitos está a ter. Porquê?

(Conclui amanhã)